VOLTAR

08.11.2016

Postado por Renata Figueira de Mello

A bola e sua história

1900s Soccer Ball and Boots

Shoot, Fussball e Dupont. Estas eram as marcas das primeiras bolas que quicaram no Brasil. Seus donos eram rapazes de fino trato que haviam estudado na Europa, onde aprenderam a jogar o futebol. As pioneiras Shoot vieram da Inglaterra, trazidas pelo brasileiro de ascendência inglesa Charles Miller, no ano de 1894 – cinco anos após a Proclamação da República(!) e seis depois da Princesa Isabel ter promulgado a Lei Áurea. Já a Fussball foi trazida da Alemanha por Hans Nobiling. Finalmente, a Dupont foi uma encomenda de Oscar Cox a um amigo que viajou à Suíça.

Todas eram muito parecidas entre si, mas bem diferentes das bolas de hoje. Tinham uma abertura por onde entrava uma câmara inflável de borracha. O principal problema surgia na hora de cabecear, quando o cadarço que amarrava a fenda podia machucar as cabeças menos protegidas, daí o hábito de muitos jogadores usarem uma touquinha ou chapéu mesmo.

1914
No inicio do futebol brasileiro, para suprir a demanda cada vez maior, a saída foi importar pelotas inglesas.

A mais procurada era a McGregor. Mas não tardou para que um artesão chamado Caetano começasse a fabricar as primeiras bolas nacionais na sua sapataria da Rua Ipiranga, em São Paulo. Logo, outros sapateiros entraram no ramo promissor e o Brasil passou de importador a exportador de bolas, principalmente para a Argentina e o Uruguai. Mesmo assim a redonda era um artigo de luxo e a criançada brincava mesmo era com bolas de meia recheadas com palha ou papel. A maior parte dos nossos craques começou assim.

1930

Na década de 40, a bola que imperava nos gramados brasileiros tinha uma costura interna, sem a abertura e o cordão. Mas o seu couro marron continuava a encharcar nos dias de chuva ou nos campos cheios de lama. “Ficava tão pesada que eu tinha que jogar de esparadrapo nas mãos e os homens de linha tinham de enfaixar os pés”, contou Oberdan Catani para a Revista Placar – 10/94, n.º 1097 -, goleiro do Palmeiras e da Seleção nos anos 40.

A partir da Copa de 62, a bola passou a ser fabricada com dezoito (18) gomos, ganhando uma forma mais perfeita e estável. A cor branca, que sempre foi usada nos jogos noturnos, se tornou também a preferida nos diurnos depois da Copa de 70.

1970
No século XX as bolas já eram filhas da tecnologia – pelo menos no exterior. Como referência, o modelo da bola utilizada na Copa de 94, que foi desenvolvida com diversas camadas de material sintético que potencializa os chutes e apresenta alta durabilidade e resistência.

De acordo com as normas Internacionais do Futebol a bola deve ser esférica, com o invólucro exterior de couro ou em outro material apropriado. Não poderá ser empregado em sua confecção nenhum material que possa representar perigo aos jogadores.

bola1
A bola deverá ter uma circunferência de 70 cm no máximo e 68 cm no mínimo. Seu peso, no início da partida, deverá ser de 450 g no máximo e de 410 g no mínimo. A pressão deverá ser igual a 0,6 – 1,1 atmosferas (600 – 1.100 g/cm²) ao nível do mar.

Na virada de 2001 os polímeros passaram a imperar! O poliuretano (altamente durável e leve) é usado como revestimento e nas camadas internas se emprega o poliestireno, as câmaras de ar (presentes no interior da bola) são de látex. A composição das bolas mais modernas? Sob o revestimento de poliuretano se empregam dez camadas de poliestireno e na câmara é usada a borracha butílica. A tecnologia deste século permite que os gomos da bola sejam unidos por ligação térmica em vez de costuras.

bolafinal

Mas o talento para usá-las… Não se fabrica.

A Bola que Pariu