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16.11.2016

Postado por Raisa Rocha

Com a cabeça no lugar

Apesar dos horários cruéis vimos os dois jogos do Brasil na Copa do Mundo Sub-20 Feminina até agora e vamos contar pra vocês o que tá rolando na Papua Nova Guiné.

Getty Images/FIFA

Gabi Nunes Getty Images/FIFA

A estreia foi um baile, 9×0 nas anfitriãs. Mas as casas de apostas acumulam tentos para ver quem vai dar goleada maior na Papua. Restam assim duas vagas no “grupo da morte” pra se digladiarem Brasil, Coreia do Norte e Suécia. Por estas circunstâncias o confronto Brasil x Coreia do Norte tinha caráter decisivo.

E o jogo teve um adversário, de fato, e foi totalmente diferente e duro desde o início. Terminou em derrota pra nós, por 4×2. Apesar do mau resultado as meninas fizeram boa apresentação. Esse time sub-20 mostra qualidades interessantes e deve passar adiante pra fase eliminatória, onde outro campeonato começa.

As meninas iam bem, aparentavam ter condições pra segurar o ímpeto norte coreano. E não estava fácil, pela esquerda de ataque elas encontravam espaços a todo momento, fazendo trabalhar a goleira Carla. Íamos devolvendo com boas chegadas no ataque, mas foi daquela jogada lateral que as asiáticas abriram o placar. Sem pensar nas dificuldades técnicas me preocupei com o fator emocional. Conseguiriam elas suportar a pressão e o gol cedo do time “bicho papão”?

A resposta parecia ser positiva. Chamamos a responsa e fomos pra cima com personalidade, na qualidade, no drible e na raça até empatar com Gabi Nunes, que fez mais um jogaço. Por pouco não viramos. Porém a alegria durou pouco e na superioridade coletiva coreana em jogada rápida nossa zaga se atrapalhou na marcação e Carla rebotou chute pra dentro da área, de onde veio o pé que balançou a rede.

O time brasileiro seguia coeso e dando sinais de que não iria se abalar. Até vir o terceiro gol em cobrança de falta. Ali foi banho de água fria, ainda mais pela forma: falha da nossa goleira, que saiu mal e acabou fazendo contra após a bola bater na trave e tocar em seu corpo antes de passar a linha.

Mas aqui é Brasil. Daniela Alves na comissão tem a função de passar tranquilidade apartir da sua vasta experiência. E o trabalho vai indo bem. As brasileiras voltaram a equilibrar o jogo e a buscar, quase fizemos mais um. Porém… o Brasil já vinha fazendo muitas faltas e no último minuto, pênalti. Fomos pro intervalo amargando 4×1.

O segundo tempo era de vir pro tudo ou nada, tentar diminuir e, acima de tudo, acertar a marcação. E assim foi, antes dos 10′ descontamos de pênalti, com Brena, que novamente fez bom jogo. Só que quando o Brasil ia melhor, apertando e empurrando elas pra dentro a Giovanna foi expulsa. E aí as chances de empatar foram por água abaixo e os números finais ficaram no 4×2.

FIFA

FIFA

O que esse time funciona do meio pra frente é o que precisa ajustar atrás, onde dá muitos espaços e gera pouca confiança. A marcação é muito distante, confusa entre ser em linha ou pessoal, mas o maior pecado defensivo está nas saídas de bola. Perdi as contas de quantas saídas de jogo equivocadas quase me pararam o coração.

Ainda falta um maior repertório na criação de jogadas pra complementar a vontade e a categoria brasileiras. E elas estão jogando bonito, sem medo do drible, da jogada plástica… Éééé, se ajeitar atrás, na frente elas resolvem. É o que a gente diz, dá bola pra elas…!

Também jogou contra nós a falta de mais capacidade de jogo coletivo. Contra a Papua as meninas esbanjaram categoria e entrosamento em toques curtos, mas contra a marcação mais pegada das norte coreanas jogamos muito abertas e distantes e a coisa ficou pela ligação direta, passes forçados e no tentar resolver sozinha.

Não faltou confiança e ímpeto pra buscar o jogo quando estivemos atrás no placar, mas houve imaturidade em algumas faltas muito prejudiciais, como a que ocasionou um dos gols, a do pênalti ou a que nos deixou com 10 em campo e impossibilitou a tarefa, que já andava árdua, de buscar o empate.

O próximo jogo é final de Copa do Mundo, vale vaga na próxima fase. Só vencer interessará a Brasil e Suécia, mas pelo saldo de gols jogamos por um empate. Estaremos com vocês, meninas. Até domingo, às 07:00h da manhã.

Getty Images/FIFA

Gol de falta de Yasmin Getty Images/FIFA

E olho nelas, realidades pro futuro que podem decidir agora: Gabi Nunes, Yasmin, Laís, Brena e Katrine.

 

Imagem de capa: CBF
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