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07.12.2016

Postado por Renata Figueira de Mello

Chapecoense: uma história brilhante que pode se repetir…

A Chapecoense de 1973

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O primeiro time oficial da Chapecoense em 1973

O Verdão do oeste catarinense ganhou as manchetes e merecidas homenagens em todo o mundo na semana passada. Em todo o Brasil, foram suspensas todas as competições oficiais em respeito ao luto pelos que se foram. O brasão da Chapecoense ficou conhecido internacionalmente pelo acidente que tirou a vida de 19 jogadores, mais comissão médica e dirigentes.

Foto AFP Nelson Almeida

AFP/Nelson Almeida

A gente acredita que de uma forma ou outra eles iriam mesmo ficar famosos esta semana, com a conquista em campo do título da Copa Sul-Americana e, quem sabe, ganhassem o mundo e suas manchetes por um motivo mais comemorativo. Mas restou o silêncio e a tristeza de não assistir a esse desfecho, como retrata a foto do pequeno torcedor. Acontece que o time de Chapecó nunca sonhou pequeno e trabalhou muito para chegar ao seu primeiro título internacional.

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AFP/Luis Acosta

        A incrível homenagem dos colombianos em Medellín, no dia em que seria o primeiro jogo da decisão

O título, mesmo sem a disputa em campo, já foi confirmado pela Conmebol. O time de Chapecó já é campeão da Sul-Americana, graças ao fair play do Atlético Nacional, de Medellín. Mas vale a pena lembrar que este time de garra, apesar de desfeito e com apenas 3 sobreviventes (que dificilmente terão condições de voltar a jogar profissionalmente) é um time vencedor. E que foi sendo construído, sem ajuda ou favores, ao longo de 43 anos pela união do povo de Chapecó. Lançou-se em 1973 e já em 77 comemorava o seu primeiro título estadual.

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arquivo OESP

Os campeões catarinenses de 1977. Em pé: Bico Fino, Décio, Carlos Alberto, Janga, Cosme, Luiz Carlos, Zé Carlos e o roupeiro Juarez. Agachados: Wilsinho, Jorge, Valdir, Sergio Santos e Eluzardo. 

Depois desse, vieram os títulos catarinenses de 1996, 2007, 2011 e 2016. Os atuais campeões do estado levaram ainda os títulos da Copa Santa Catarina de 2006 e da Taça Santa Catarina de 1979 e 2014. Um time sem estrelas, que contou com  jogadores vindos de fora, mas também investiu nos times de base. Agora, terá o reforço de jogadores emprestados dos principais times grandes do eixo São Paulo-Rio e de uma torcida que já não é mais apenas a regional.

Foto AFP Luis Acosta

AFP/Luis Acosta

Recomeça a saga do time brigador do interior catarinense, que veio da Série C do Campeonato Brasileiro para conquistar seu lugar honroso na Série A e manter-se entre os 10 melhores do Brasil. Recomeça do zero o sonho que já provaram ser possível. Uma história que pode se repetir, sim, porque é toda uma cidade querendo reerguer o seu clube do coração e todo o universo futebolístico conspirando a favor. Apoio financeiro e emocional ajudam nessa hora. Mas só até que eles já se sintam em condições de retomar a luta, do jeito Chapecoense de ser: promover jovens da base ao time principal e poderem brigar de igual para igual com os grandes.

homenagem mais cinco minutos

arte/homenagem do Mais Cinco Minutos

Neste domingo, dia 11/12, a Chapecoense não entrará em campo para o seu último compromisso do Brasileirão contra o Atlético Mineiro. O jogo seria na Arena Condá, palco de tantas homenagens, vigílias e do velório coletivo de todos os que partiram. Mas o espírito Chapecoense entrará em campo sim, estampado, de alguma forma, em todos os outros jogos dessa rodada final em ações de homenagem ao grupo guerreiro que se foi. O hino da Chape terá seus versos entoados ao início de cada partida.

2016

arquivo oficial Chape – campeão catarinense 2016

E assim, entra para a história do futebol o dia em que o Corínthians vestirá verde (!), o São Paulo, preto, e de alguma maneira, toda equipe e todo torcedor levarão a Chape no peito. Essa solidariedade e emoção são inéditas na memória do nosso futebol. Jogadores de várias partes do país serão cedidos à nova Chapecoense, que nunca há de se esquecer deste esquadrão de 2016, mas há de se refazer, moldada pelo exemplo de luta, eternizado por esses rapazes.

#forçachape

A Bola que Pariu