VOLTAR

,

23.03.2017

Postado por Raisa Rocha

Repetindo hábitos perigosos

Novo Hamburgo 1×1 Grêmio – Campeonato Gaúcho 2017

“A gente não tá conseguindo triangular, fazer aquele toque de bola pra chegar lá, na cara do gol. Mas na marcação tá bem, cara, o time tá aguerrido”. Estes foram o tricolor e Michel, ao final do empate contra o líder do Gauchão.

Não se pode reclamar de entrega no Grêmio, fato. Mas não tem sido o suficiente. Jogo após jogo temos um time diferente em campo, atuações coletivas sem brilho e individualidades se sobressaindo ao ponto de salvar a pátria. Como ontem com Léo Moura, empatando aos 45’ de jogo.

Os desfalques são vários, sim, mas que o elenco deste ano é mais qualificado também é uma verdade. Algo precisa mudar, o técnico tem de trabalhar e achar o time (acho que está tentando). Estamos caindo num ciclo perigoso: não consegue furar a defesa, não cria chances de gol, cruza mil bolas na área pra ninguém, tira os volantes, enche o time de avantes, sai atrás no placar, termina em empate. Convenhamos, não são bons hábitos a se adquirir…

André Ávila/Agência RBS

André Ávila/Agência RBS

Ontem, no Frankenstein tricolor entrou o Everton na do Barrios, que é a do Miller Bolãnos. O remendo resultou numa trinca com Luan, Pedro Rocha e Everton, com Ramiro minimamente recuado. A ideia parecia iluminada, a movimentação era promissora. O Cebolinha, aniversariante, jogava mais confiante e começou ocupando a faixa central; oras voltando como um 10, oras entrando como um centroavante. Pedro Rocha também era bastante ativado. A mobilidade aumentava e Luan saía da direita pro meio e pro campo todo. A movimentação seguiu forte… por vinte minutos e não mais.

Fisicamente não é fácil manter essa mecânica e já sabemos disso faz dois anos. Mas, principalmente, o que falta é aquele meia que segura o jogo, espera o time correr e bota a bola na feição. Não temos essa figura e é urgente que Renato PARE de tentar fazer o Luan ser esse cara.

Tentar suprir UMA função específica com TRÊS jogadores pra lá e pra cá no revezamento é tapar buraco. Erro. O acúmulo de jogadores na região foi recíproco e em pouco tempo o Nóia se organizou e embolou o jogo, que ficou uma porcaria, um marasmo de marcação em ¼ de campo até o final do primeiro tempo.

E não falarei de Jaílson e Michel, só peço aos céus que Maicon volte, imediatamente.

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

No segundo tempo, Portaluppi colocou o time pra frente. Veio La Gata (Pedro Rocha) e logo menos quase sofremos um gol. Eu acho uma característica importante o treinador não aceitar o empate, querer a vitória. Segue o baile e vem Fernandinho (Jaílson). Nada funcionava. Somente ocupando o campo ofensivo, sem produzir, o Grêmio colocou o time anilado em posição de contra-ataque. Numa dessas, Gastón entregou bola na meia cancha e se abriu o placar.

Sem um volante (em campo ou no banco) capaz de melhorar as coisas, veio o Lincoln no lugar de Michel. A derrota se consolidava. Estar “no ataque” a maioria do jogo não quer dizer nada sem arremate pro gol. E eu não sei como saiu o empate! O novo argentino se redimiu e na “pressão” final recuperou uma bola que sairia pela lateral, achou Marcelo Oliveira que, de perna direita, jogou pra área de qualquer jeito e ela caiu no pé do Léo Moura. A camisa pesou.

André Ávila/Agência RBS

André Ávila/Agência RBS

1. Léo, você tá jogando o fino, apenas pare de cobrar faltas.

2. Edílson, segure o banco.

3. Marcelo Oliveira, ok, você merece elogios. Não pela assistência, mas porque esteve bem no que tem de melhor; o desarme, a marcação. Ajudou bastante o time em momentos precisos, vestiu a braçadeira de capitão. De resto, o de sempre no apoio…

4. Luan jogou e joga muito, mas não é Messi nem faz milagres. Gremistas, parem de queimar o guri, acordem!

Assim terminou a noite. Amarga seria a derrota, amargo foi o empate. Eu já disse aqui o quanto me perturba a ideia de buscar a todo custo repetir 2016. Renato não leu. O treinador prometeu na entrevista que com as voltas, na “hora H”, o time vai jogar. Também acredito que a coisa vá melhorar em questão de semana ou 10 dias. Mas que a péssima sequencia atinge a paciência, ah, isso sim… Sábado tem outra pedreira, o Juventude. Será na Arena. Aos gremistas, favor tenham bom senso e se for para vaiar, que fiquem em seus sofás. E vamos Grêmio!

 

Foto de capa de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Ler mais da Raisa Rocha

Ler mais do Grêmio

Ler mais do Campeonato Gaúcho

A Bola que Pariu