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24.04.2017

Postado por Raisa Rocha

Eliminação doída

Novo Hamburgo 1(7) x 1(6) Grêmio – Semifinal Campeonato Gaúcho 2017

Estou travada, exatamente igual ao Grêmio contra o Novo Hamburgo. Não sei por onde começar a resenha desta eliminação. Ao menos, garanto que não os tratarei de idiotas com avaliações do tipo estou dando mole porque estou com soninho…

Também não irei crucificar Renato, desnecessário por hoje. O homem transformou Clementino em artilheiro e na maioria dos casos suas substituições vencem jogo. Deixarei quieto o que foi a entrada surreal do Lincoln… Serei breve e leve nas verdades sobre a caricatura de treinador de futebol de Renato Portaluppi, um dos maiores jogadores da história do Grêmio FBPA.

Vinícius Costa/Futura Press

Vinícius Costa/Futura Press

Jogamos cerca de 300 minutos contra o Novo Hamburgo sem uma vitória sequer. Em três confrontos, sempre o teimoso 1×1 no placar. Um time que desafiou nossa confiança sendo melhor na bola e estando mais perto da vitória em todas as ocasiões.

Tentemos ver a situação pela perspectiva do adversário do Vale dos Sinos, o qual estamos carecas de saber que é o melhor de todos os que entraram neste Campeonato Gaúcho de 2017. No geral, o Grêmio é só o terceiro melhor, com 6 vitórias, 7 empates e 2 derrotas.

Tá aí um time que não vai só pra se defender. O Noia joga, ataca e defende com qualidade e consciência. É um time com identidade e proposta de jogo. É perigoso e não vive de contra-ataques, com a bola no pé em poucos segundos está em condição de concluir a gol. Marca com afinco, mas principalmente com muita inteligência tática. Toda a raça e a vontade de ser campeão que faltaram aos gremistas eles têm de sobra. O treinador Beto Campos decifrou cada jogador e montou um time que é certamente superior a todos os outros times do interior e que está há dois jogos de se consagrar.

Juarez Machado/Globo Esporte

Juarez Machado/Globo Esporte

O Novo Hamburgo joga mais que o Inter porque o time vermelho ainda vai aos trancos e barrancos e não se pode dizer que esteja exatamente jogando futebol. O Novo Hamburgo joga mais que o Grêmio porque, por algum motivo, começamos o ano com um time pronto e ele se perdeu.

Gosto sempre de contextualizar as situações: de cara perdemos Douglas e depois se foi o Wallace. Um por um, quase todos os titulares já tiveram alguma lesão neste ano. Até agora foram 21 jogos e, por exemplo, Maicon jogou somente 8, Edílson fez 7 e Geromel atuou 11 vezes. Sim, os desfalques foram vários e demorou até o time ideal estar completo, mas não basta pra justificar que quase em maio o time ainda jogue de maneira tão inconstante e imponha tão baixa resistência às marcações adversárias.

Félix Zucco/Ag. RBS

Félix Zucco/Ag. RBS

Não fosse o elenco qualificado as coisas poderiam estar piores. Apesar dos resultados mais ou menos, foram poucos os jogos em que o TIME jogou muito. O que tivemos por diversas vezes foram jogadores em jornadas iluminadas decidindo as partidas ou resolvendo tudo. É só voltar um pouquinho na memória… Miller e Ramiro foram os que mais “salvaram”. Depois vem Léo Moura, que enfileirou boas partidas decidindo algumas delas. Luan brilhou menos do que pode, mas foi determinante em êxitos. Pedro Rocha, como sempre, também já segurou sozinho este ano. E Barrios, ontem, foi o único que parecia querer vencer.

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O toque de bola, a cada jogo, se perde um pouco mais. A verticalidade que Renato encontrou na definição das jogadas também. Léo Moura tem limitações para a função de meia ofensivo. A bola aérea no ataque é de fazer raiva e na defesa é de chorar. Não entendo porque cruzamentos pra um time sem cacoete de cabeceio. Não entendo porque deixam de cruzar bolas quando Barrios está em campo. Nossas bolas paradas são desperdício e o time se habitou a embaçar o jogo.

Miller e Luan são craques e sua dupla é monstruosa, mas falta um homem jogando no meio. Eles passam pela região porque jogam com movimentação, mas não são dali e há uma lacuna de função. Falta o homem que fica de frente para o jogo, que faz o pivô das triangulações, que enxerga e distribui.

O momento é crítico, de tristeza e indignação. Eu, particularmente, não cogitava não estar na decisão que começa no próximo domingo. O golpe foi forte, toda uma engrenagem está na berlinda e os holofotes são inquisidores. Depois de ganhar a Copa parece que entramos em um delírio coletivo onde o Grêmio nunca mais seria eliminado, todas as agruras passadas não mais se repetiriam, nunca mais. Bom, o sonho acabou. Espero que os jogadores também acordem, é preciso mais, é preciso voltar ao que foi feito e fazer melhor.

Não volto atrás em ter apoiado o planejamento da semana, foi feito o certo e se alguém tiver bola de cristal, empreste-me. Acabou o Gauchão pra nós, que o Novo Hamburgo se consagre o campeão e quinta-feira tem jogo de Copa Libertadores. Assim é o futebol, assim é a vida, que seguem.

 

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