VOLTAR

,

27.04.2017

Postado por Colaboradoras

Quem tem medo do bicho papão

Felizmente, com avanço de novas tecnologias inclusive sociais, e o aprofundamento das discussões em torno dos direitos das crianças e adolescentes, sua proteção integral e seu reconhecimento como pessoas em situação peculiar de desenvolvimento, fizeram com que os adultos alterassem significativamente sua percepção e trato com os pequenos. Contudo, ainda que haja avanços há muito que ser feito para a implementação de políticas públicas que garantam o acesso integral aos bens e serviços necessários ao pleno desenvolvimento desta população. Tudo isso pra dizer que nem as crianças nem o Santos se assustam com o Papão.

WhatsApp Image 2017-04-27 at 14.15.39

O time escalado por Dorival teve a novidade de Matheus Ribeiro como titular, não rolou. Com dificuldades nas divididas, passou a impressão de não acreditar nas jogadas e no seu suposto potencial, (o que será que a diretoria viu nele?), demorava muito para alcançar as jogadas com Bruno Henrique e não conseguia abrir pelas laterais. Totalmente oposto, Bruno (agora a diretoria acertou) correu, disputou as jogadas, auxiliou na marcação e realizou jogadas individuais com muito talento e precisão. Talento suficiente para marcar um golaço aos 5′ do segundo tempo e acalmar a torcida, pouco mais de 6 mil presentes, que vaiou a equipe no final do primeiro tempo quando o jogo ainda estava 0x0.

Bruno não comemorou o gol, logo os sites especializados, doidos por uma polêmica, noticiaram que foi por conta da vaia. O próprio jogador desmentiu e afirmou que não comemorou, pois sente fortes dores no pé direito, o que o impossibilitou de correr, nas palavras dele: “vi estrelas ao chutar a bola para o gol”. Eu também vi estrelas Bruno, com seu golaço, obrigada pelo esforço.

33450255464_0e97c03c3c_h

Matheus foi substituído por Copete, que nos brindou com uma cabeçada precisa convertendo o segundo gol. Outro hermano que fez  a diferença foi Wladimir substituindo Lucas Lima. A jogada para o segundo gol saiu dos seus pés.

O Paysandu, time de tradição, com uma torcida apaixonada e presente, estava há 20 partidas invicto nos campeonatos regionais. O time jogou de forma compacta e organizada, teve duas chances claras de gols no primeiro tempo, barradas pelo espetacular Vanderlei (sou exagerada mesmo). No segundo tempo houve algumas chances de bola parada e só. No domingo eles enfrentam o Remo nas finas do estadual, imagine a pressão depois de uma derrota dessas.

Voltando a falar da infância, quero concluir meu relato fazendo uma analogia à péssima atuação de Vitor Bueno, jogador revelação do Brasileiro de 2016. Mostra-se totalmente apático e com dificuldades no domínio de bola, corre pouco e não consegue concluir uma jogada. Ao ser substituído por outro garoto Arthur Gomes (e viva os nomes de novela mexicana), foi muito cobrado, foram entoados xingos e insultos. Percorreu as infinitas laterais do campo cabisbaixo e com expressão de tristeza (não preciso mentir, fiquei com muita dó), sei que o desejo do torcedor é ver o time campeão, vencedor, competitivo, contudo, que pressão sofrem os jogadores profissionais, como também milhares de meninos ao se dedicarem ao futebol?

34291842275_02e650ef80_h

Os meninos, em nome do sonho, são submetidos às situações de violência e violações de direitos constantes. Com Vitor Bueno não foi diferente, no início da carreira chegou a permanecer por quase 7 meses na base do Bahia, sofrendo das mais variadas privações e distante da família. Ontem conversei com alguns garotos presentes na Vila, estavam na cidade, pois fariam testes no dia seguinte para quem sabe compor a base do time praiano. Um era do Ceará e os outros três de Anápolis – Goiás, os olhos brilhavam com a torcida e com a partida, as vaias e humilhações sofridas por Vitor passaram despercebida aos olhos esperançosos.

O próximo compromisso do Santos é contra o Santa Fé da Colômbia pela Copa Libertadores, estaremos lá, torcendo, acompanhando e indignando-se com este futebol que consegue ao mesmo tempo nos alegrar com sua magia e nos entristecer com a mercantilização da infância.

Fotos Ivan Storti

Por Roberta Pereira

Ler mais do Santos

Ler mais da Copa do Brasil

A Bola que Pariu