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01.05.2017

Postado por Colaboradoras

A final que a galera gosta – parte 1!

Cruzeiro 0x0 Atlético-MG – Final do Campeonato Mineiro 2017

Chegou o dia da primeira final. Dia pra cruzeirense chegar com sangue nos olhos ao Mineirão. Os acontecimentos da semana já foram para deixar qualquer um enfurecido – da pipocada do Tribunal Desportivo ao diminuir pena de suspensão de Fred para que ele pudesse participar do jogo, a revoltante perspectiva de um jogo de volta com torcida única no Independência até as declarações clubistas do presidente da Federação Mineira de Futebol.

Que me perdoem a expressão, mas, colocando o preto no branco, foi pra tirar qualquer um do sério.

Rafael Araujo

Rafael Araujo

A única coisa jogando a nosso favor eram o time e a torcida. E foi em perfeita união que ambos estiveram durante toda a partida. Raiva da Federação e dos laudos malucos da PM, lua de mel com o time. E depois de dois anos, o retorno da final que o cruzeirense gosta de ver todo ano: Cruzeiro e Atlético, no Mineirão.

E o time? Correspondeu em campo. Dominou o primeiro tempo integralmente, em que pese não ter tido muitas chances claras.

Arrascaeta, Rafinha, Thiago Neves e Sóbis alternavam posições no ataque, tabelavam com qualidade, mas a defesa atleticana demonstrava competência para diminuir os espaços. Não era fácil penetrar a área atleticana com aquele campo povoado e apesar do Cruzeiro estar soberano no meio-campo, parecia nunca encontrar alguém habilitado a uma boa finalização. A tensão dos bastidores da semana parecia influenciar torcida e jogadores, a filosofia de “cada enxadada, uma minhoca” ia se consagrando com a conivência do árbitro.

A volância com Henrique e Hudson, perfeita defensivamente, não tinha a inspiração de jogos anteriores para aparecer como elemento surpresa no ataque. O apoio ficou por conta apenas de Diogo Barbosa, que foi muito bem; marcou, driblou, tabelou, avançou… mas encontrava a mesma área vazia do quarteto ofensivo.

Washinton Alves CruzeiroHenrique

Pelo lado direito, fizemos o feijão com arroz, com Mayke focado em não comprometer. Cometeu alguns erros de marcação logo nos primeiros minutos, mas no geral, atingiu sua meta.

Martelamos, mas de pé em pé e com uma arbitragem pra lá de permissiva, conquistamos e distribuímos de concreto apenas uma porção de hematomas no primeiro tempo.

A segunda metade do jogo foi mais aberta, com o Atlético saindo mais nos contra-ataques e o Cruzeiro acelerando as jogadas. Thiago Neves, figura mais apagada no meio campo, saiu para dar lugar a Ábila. Assim, a síndrome da área vazia do primeiro tempo foi corrigida sem sacrificar a competitividade do meio-campo.

O Cruzeiro se lançava ao ataque, mas a finalização não se viabilizava, ou, quando finalmente acontecia o espaço, o chute saía fraco ou passava-se a bola de lado. Tivemos, de forma muito clara, apenas um lance: Ábila, aos 21′ do segundo tempo perdeu ângulo ao deixar a bola escapar um pouco pra linha de fundo, mas ainda bateu forte para uma defesa difícil de Victor. O Atlético teve mais chances claras, com Elias, Fred e Gabriel, mas não acertou o gol em nenhuma delas.

Para dar novo gás ao momento diferente do jogo, com mais espaços para passes longos e infiltrações, Mano colocou Alisson e Élber no lugar de Arrascaeta e Rafinha, cansados. A expectativa era de que incendiassem o jogo, e assim foi. Alisson um pouco mais discreto, mas Élber, nas poucas vezes em que encostou na bola, partiu pra cima em velocidade.

Foi em uma dessas disparadas, ao fim do jogo, que o lance mais “enérgico” aconteceu. O jogador ia em direção ao gol, prestes a entrar na área, já deixara Gabriel e Fábio Santos para trás, quando foi atingido em cheio no tornozelo por carrinho do zagueiro. Segundo o árbitro, lance para cartão amarelo.

Washinton Alves Cruzeirofalta em elber

Pouco depois e muito mais rápido do que gostaríamos, o jogo acabou. Com o sabor amargo do lance em Élber ainda na boca e frustrado pelo resultado injusto pelo que apresentaram as equipes, o torcedor parecia revoltado com Deus e o mundo, menos o time.

Quanto à arbitragem, Mano Menezes reclamou de pênalti e cartões amarelos, mas o árbitro escolheu um critério muito claro desde o início e esse critério foi o da violência. Apesar da permissividade do árbitro ter favorecido o Atlético, já que a proposta do time foi se defender, quando pôde, o Cruzeiro também fez faltas dignas de cartão amarelo e se valeu do critério do juiz para não recebê-los. E o pênalti, mesmo com os mil replays, é um lance polêmico. Fica no fundo aquela sensação de que contra a gente é sempre pênalti… mas, nenhuma interpretação aqui é absurda.

Absurdo, mesmo, foi Gabriel não ter sido expulso. Até para os parâmetros desse árbitro.

Entre reclamações da arbitragem e o reconhecimento das nossas próprias limitações para achar o caminho do gol, é importante lembrar, para quem não teve a oportunidade de estar no Mineirão: foi um jogão, intenso, jogamos no limite e o time saiu aplaudido de pé pela torcida. A final está em aberto e o time acostumado a jogar clássicos, só que dessa vez não basta manter o tabu.

Com a volta de Ezequiel e talvez de Robinho, vamos tentar o título no Independência e temos tudo para fazer uma partida ainda melhor e vencer no Horto. A torcida pode estar p da vida, mas está fechada com o Cruzeiro!

Washinton Alves Cruzeiromineirão

 

Por Ana Clara Costa Amaral do Coletivo RAP Feministas

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