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18.05.2017

Postado por Raisa Rocha

Grêmio copeiro como não se via há muito tempo

Grêmio 3×1 Fluminense – Oitavas de Final da Copa do Brasil 2017

Que jogaço de futebol foi este Grêmio e Fluminense. Brigado, aberto, com dois times de muita qualidade se agredindo o tempo inteiro. Um jogo de reviravoltas, de inteligência, de maturidade. Tático, de talento individual, de velocidade. Um autêntico mata-mata, um digno jogo de Copa do Brasil e de seu atual e maior campeão.

O Fluminense foi o melhor time que o Grêmio enfrentou em muito tempo, em 2017 com certeza. Pensando melhor, nem Cruzeiro nem Atlético (nas fases de semifinal e final respectivamente) chegaram perto do que este Fluminense fez. Talvez o Atlético-PR no jogo de volta das oitavas, na Arena, talvez.

O Grêmio não só voltou aos títulos, mas FINALMENTE recuperou sua alma copeira. Há quanto tempo não tínhamos um time tão seguro de si, que sofre um gol em casa e te dá a certeza da virada? Renato resgatou o espírito dos jogos decisivos, coisa que desde o Mano Menezes o Grêmio não conseguia ter. Vivemos anos de fragilidade, amedrontamento, se deixando levar pela pressão adversária e não sabendo mandar em casa. Fadados a morrer nas oitavas. Não mais. Ontem o imortal foi imponente, confiante, quis a vitória, não se abalou e virou o placar. Ganhou na bola e no jogo.

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O tricolor carioca começou querendo a vaga e empurrando o Grêmio, que não conseguia respirar. No ataque, uma linha de três terrivelmente veloz com Marcos Júnior e Richarlison pelas pontas encabeçados por Sornoza no meio, como falso 10. Pra fechar o setor um centroavante, Henrique Dourado. Na pegada frenética de enfrentar o atual campeão, o Flu tanto quis que rápido, aos 5’ de jogo, abriu o placar. Pra variar, em jogada aérea.

O jogo não parava e o Grêmio não conseguia esfriar a bola em nenhum setor do campo. Sempre marcados de perto, não conseguíamos organizar as linhas. A situação só se resolveu pelos pés de duas figuras essenciais que chamaram a responsabilidade ficando com a bola no pé. Arthur e Luan. Com eles carregando a redonda e costurando o gramado o Grêmio conseguiu aos poucos se armar no toque de bola. Mesmo assim, ninguém do tricolor azul, preto e branco conseguia receber em boa condição. Só o talento pra quebrar o bloqueio.

E foi Luan quem começou a jogada toda. Pegou bola no meio e ficou, andou uns metros, tirou dois, acalmou o jogo, deu tempo pro Grêmio se posicionar e encontrou Arthur. Ele devolveu pro nosso camisa 7 que, sensacional, deu passe rápido, como fazia o Douglas. Arthur pegou na frente, achou Barrios. O paraguaio pifou o guri dentro da área. Driblou o goleiro. Na rede. Arthur. Um golaço coletivo, um golaço do meia, um golaço do Grêmio.

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Começou difícil a peleia, mas na Arena quem manda é o Grêmio. Abel tem um belo time nas mãos, de bons talentos individuais e jovem. Agressivos na marcação e na obtenção da posse, sempre buscando o ataque, sempre uma linha a frente dos nossos jogadores nas sobras. Com o andamento da partida o Grêmio se tornou superior, mas a disputa por cada palmo de campo se manteve até o apito final. Falando em apito… que juiz é este? Deixou o pau comer, amaciou pro Fluminense, escondeu cartões, não sinalizou os acréscimos… um irresponsável, inadmissível apitar um jogo desta grandeza.

A virada veio com Lucas, que marcou dois. O primeiro em jogada ensaiada, total mérito pra Renato. O segundo surgiu dum baita passe do Cortez e foi de uma categoria, uma classe… pra humilhar o adversário e também seu colega Pedro Rocha, que vem decaindo de produção, muito provavelmente por vergonha em ver a facilidade com que o Barrios bota pro gol…

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Luan é o tipo de jogador que precisa de parceria. Precisava de Douglas. Precisa de Miller. Agora Rei Arthur chegou para ajudar o guri. Mal interpretado, muito criticado pela parcela acéfala da torcida, Luanel mandou no jogo. Como sempre, esteve em todos os lances, nunca para de se movimentar, conduziu a bola, driblou, foi pra cima, enervou o adversário, ditou o ritmo e apanhou muito. Sobre Arthur, que é isso! Tenho até medo da dependência que JÁ criamos sobre ele.

Pra encerrar, gostei de ver o Everton em campo. Recupera ele, Renato.

Ficamos muito tempo sem o imortal tricolor do mata-mata. Não mais. Retomamos o espírito, a alma castelhana. O Grêmio foi lindo. Copeiro, peleador e jogando um futebol de lacrimejar os olhos. Nada mal para este que é só o penta campeão da Copa do Brasil. E se não formos hexa, com certeza não vai ser o Fluminense o time a nos tirar.

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Fotos de Lucas Uebel/GrÊmio FBPA

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