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18.06.2017

Postado por Colaboradoras

Galinho campeão! E a saga para tornar-se jogador

Flamengo (1)0x0(3) Atlético – Final da Copa do Brasil Sub-20 2017

Sexta-feira assistimos à equipe sub-20 do Atlético (carinhosamente chamada de Galinho pelos torcedores e pelo clube) em sua partida final, contra o Flamengo, na disputa pela taça da Copa do Brasil Sub-20.

Uma decisão temperada com uma boa dose de rivalidade clubística, fruto da história de confrontos (dentro e fora de campo) e polêmicas entre os dois clubes.

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Depois do um a um no Horto (Galinho saiu perdendo, mas conseguiu o empate), o jogo de volta na Ilha do Urubu terminou no zero a zero, com dois tempos de muita correria. Um jogo, por vezes, mais ansioso e veloz do que estamos acostumados a ver nas partidas entre equipes profissionais. Nos pênaltis, três a um para o Galinho, com três defesas de Cleiton e uma com direito a referência àquela inesquecível defesa de Victor com o pé na Libertadores de 2013.

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O nome do jogo foi Cleiton que, além das três cobranças defendidas (algumas mal batidas, é verdade), safou o Galinho do ataque rubro-negro muitas vezes durante a partida.

A história do goleiro rapidamente foi abordada como exemplo de trajetória heroica. Nada surpreendente para um goleiro que já circula entre os jogadores da categoria profissional. Aliás, que já é profissional, apesar de, tecnicamente, esses meninos da base serem chamados de aprendizes. Aprendizes eles serão sempre, mas desde crianças têm de escolher (ou escolhem por eles) a bola como profissão.

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Como disse um amigo flamenguista: a base é para revelar jogadores e não para ganhar títulos. Esses meninos já são vencedores por estarem aonde estão, em condição privilegiada, seja no Atlético ou no Flamengo, com certa estrutura e, com certeza, certo orgulho em defender as cores de suas camisas.

Desse seleto (muito seleto) grupo de meninos muitos não integrarão as equipes principais de seus clubes, é o que podemos prever com base na dinâmica do futebol profissional.

Na preleção do jogo em questão, o técnico Ricardo Resende disse aos seus atletas: “Agora esquece a torcida (adversária), esquece a televisão. Concentrem-se naquilo que vocês vieram para fazer”. Esquecer a televisão é uma recomendação comum nos dias de hoje, nos quais os jovens jogadores aprendem a procurar a câmera para mostrar-se ao mundo. É a preocupação com uma imagem que precisa ser construída e diferenciada para ser lucrativa e para continuar no jogo do futebol profissional.

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A Copa do Brasil Sub-20 surgiu em 2012, na onda de valorização das competições nacionais e internacionais de clubes e seleções de base, por conta de um mercado no qual os jogadores precisam circular e aparecer. No final do mês o Galinho inicia a sua jornada no Campeonato Brasileiro sub-20 e também concorrerá à vaga na Libertadores sub-20 contra o campeão dessa competição.

Nesse calendário que se estrutura a partir da perspectiva de dar visibilidade aos seus “produtos”, não raramente esquecemos dessas vidas de meninos e sonhos de meninos que não deveriam ser tratados como meras peças de seus times. Muitos desses sonhos serão interrompidos prematuramente por alguma lesão ou simplesmente por falta de espaço em um mercado restrito ou por não darem conta de acompanhar o ritmo intenso e os jogos de poder do futebol profissional.

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Muitos desses jogadores não alcançarão a visibilidade esperada para conseguir uma renda satisfatória para viver somente de futebol. Outros talvez se “aposentem” com seus 20 anos e terão que encarar outros mercados por aí.

Em suma, nesses campeonatos de base, realmente, o resultado não é o mais importante, tendo em vista a complexa rede de relações que decide quem será visível e quem será invisível nesse mercado. Mas curtam demais essa vitória, meninos do Galinho! A vida é curta e o tempo sendo jogador profissional, ainda mais. Mas, a alegria de ganhar um título contra esse famoso rival, fora de casa, ninguém pode tirar de vocês!

 

Fotos de Lucas Figueiredo/CBF

Por Marina de Mattos Dantas

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