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15.06.2017

Postado por Patrícia Muniz

Ei, Galo, precisamos conversar

Atlético Mineiro 0x1 Atlético Paranaense – R07 Campeonato Brasileiro 2017

“Feche a porta, esqueça o barulho. Feche os olhos, tome ar: é hora do mergulho.” (Engenheiros do Hawaii)

Precisamos conversar, meu bem, mas precisamos de cautela e lucidez antes de dar qualquer outro passo. É verdade que eu fiquei muito irritada com o jogo de ontem. No primeiro tempo, você era o dono do jogo e, com a expulsão de Lucho González, eu sonhei com o segundo tempo nos trazendo uma vitória de goleada. O problema é que, mais uma vez nesse Campeonato Brasileiro, falhamos.

Colocamos a bola pra dentro duas vezes, mas o juiz anulou as duas oportunidades – mesmo o segundo sendo um gol legal. Tudo bem, eu pensei. Afinal, com um jogador a mais e dominando a partida, em algum momento teríamos o triunfo.  Ledo engano: não apenas não conseguimos estufar as redes novamente, como sofremos a derrota aos 44 minutos do segundo tempo.

Depois do jogo de ontem, mídia e torcida só enxergaram a falha pontual de Felipe Santana que resultou no gol dos paranaenses. Estamos vivendo um momento crítico defensivamente, principalmente em função dos desgastes e lesões, mas, com um time que cruzou 63 vezes na área e não matou o jogo nas diversas oportunidades que teve, eu acho que a defesa não é o problema principal aqui. Em termos ofensivos, temos um dos melhores elencos do Brasil e não marcar em um jogo como esse, em que temos um jogador a mais, é uma grande preocupação.

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

Perdemos mais esses três pontos justamente por desperdiçar jogadas fáceis, como as não convertidas pelo Robinho já no primeiro tempo, e pelo intenso domínio da bola sem a menor efetividade na construção de jogadas. Não havia drible ou arranjos que desequilibrassem a defesa adversária, tínhamos apenas a fracassada bola pingada na área – contra um time organizado e bem fechado.

O problema aqui não é exatamente (mais) essa derrota sofrida e a amarga zona de rebaixamento. Estamos apenas na sétima rodada do campeonato e a série B não é o foco da minha preocupação agora. Nas palavras de Roger, agora nós estamos em uma fase de instabilidade momentânea e é nisso que vou confiar.

Na verdade, Galo, precisamos conversar sobre ter lucidez em meio a esse caos momentâneo, porque o cenário em que estamos inseridos agora me parece mais preocupante que a atuação dentro de campo ontem. Precisamos conversar sobre ter uma torcida mimada pela fase recente de muitos títulos e que enxerga crise em qualquer sequência ruim. A histeria coletiva diante da derrota de ontem mostra o quanto esperamos do Galo apenas a ponta da tabela ou logo levantamos um #ForaTodos. Quem olha para o desespero da torcida do Galo hoje não acredita que somos os campeões estaduais, classificamos com a melhor campanha na Libertadores e avançamos na Copa do Brasil e na Primeira Liga.

Bruno Cantini/ Atlético MG

Bruno Cantini/ Atlético MG

Em volta, uma mídia sensacionalista que corrobora com o desespero do torcedor. Alguns jornais falaram em VEXAME e eu fiquei me perguntando onde estão os outros três ou quatro gols que o time levou, pois uma chamada como essa nos faz crer que o time esteve apático em campo e viu o adversário dominar seu jogo – o que definitivamente não aconteceu.

Nos bastidores, uma diretoria que parece não enxergar o estádio vazio em um momento difícil e mantém os preços dos ingressos incompatíveis com a realidade de um time do povo. Precisamos sim acertar a pontaria e colocar mais paixão em campo e nas arquibancadas, porque torcida faz falta e ganha jogo sim. Não podemos dormir no ponto, Galo, mas não estamos no fundo do poço. A vantagem dos campeonatos de pontos corridos é que nem todas as derrotas são fatais. Precisamos de visão de jogo e lucidez, dentro e fora das quatro linhas, para nos reerguermos novamente.

 

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