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29.07.2017

Postado por Marina de Mattos Dantas

Olha a voz que nos resta, olha a veia que salta

Botafogo 3 x 0 Atlético – Oitavas de Final da Copa do Brasil 2017

Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa

Peço licença ao Chico Buarque para valer-me de alguns trechos de sua música no início dessa crônica. O jogo da noite de quarta-feira era uma tragédia anunciada para o Atlético. Anunciada, não porque teria que acontecer nas oitavas da Copa do Brasil. Mas porque boa parte do que vínhamos falando nesse blog nos últimos meses sobre as tretas e limitações desse time alvinegro se demonstrou com toda a sua intensidade. O que aconteceu quarta foi a gota d’água (esperamos que tenha sido) de uma equipe que jogou fora tudo o que tinha e perdeu a confiança da torcida, da própria diretoria e em si mesma.

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O Botafogo realmente sobrou em campo. No primeiro gol, aos cinco minutos, a defesa do Galo estava praticamente parada e o zagueiro Carli teve a oportunidade de fazer o seu. Apatia geral. E qualquer desatenção – já dizia o Chico – pode ser a gota d’água. Roger ampliou a vantagem ao final no primeiro tempo e, ao final do segundo, quando o time atleticano já havia desistido da vida, Gilson encerrou a goleada. Nada mais a tratar sobre esse jogo.

Era a tragédia anunciada que vinha sendo evitada por Roger. Entendido como parte do problema atleticano por alguns, o técnico vinha administrando bem, na medida do possível, os resultados e os campeonatos com os jogadores disponíveis entre o departamento médico e o campo. O que aconteceu após a sua saída foi o “descarrilhamento” total desse time. Mas enfim, Roger, ao menos por enquanto, não interessa mais ao Galo. Continuamos na agonística de lidar com uma defesa muito jovem, com estrelas que não fazem as coisas fluírem no ataque e contratações que não demonstraram a que vieram.

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A diretoria, agora, resolveu fazer o discurso de “choque de gestão” e apelar para a presença do torcedor que, aparentemente, até a última rodada parecia dispensável senão pelo pagamento da anuidade de sócio. Ingressos a 13 reais, relembrando a mística do número e como um chamado àqueles com quem sempre podem contar e que novamente serão esquecidos tão logo o Atlético consiga engrenar em algum campeonato.

Encarar o Coritiba no Couto Pereira não será tarefa fácil no domingo. Mas esperamos que com a ruína momentânea desse time, o Galo possa ressurgir forte e brigador como é. E que Micale tenha a força e o apoio necessário (da diretoria, do time e da torcida) para enfrentar os medalhões que não reconhecem suas limitações e encontrar saídas nesse Campeonato Brasileiro e nessa Libertadores, que não estão perdidos.

De parte da torcida, de volta em peso no Mineirão contra o Corinthians, na próxima quarta-feira, o mínimo que podemos esperar é a voz que nos resta e a veia que salta…

 

Fotos de Bruno Cantini/Atlético-MG

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