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24.07.2017

Postado por Ana Clara Costa Amaral

Muita posse e pouco jogo

Avaí 1 x 0 Cruzeiro – R16 Campeonato Brasileiro 2017

A partida de ontem na Ressacada, com respeito ao leitor, não merece uma descrição das jogadas importantes. Porque simplesmente não houve jogadas. Um certo fantasy game diz que o talentoso goleiro do Avaí fez cinco defesas difíceis, mas, com muito esforço, não dormi no jogo e afirmo que vi apenas duas.

Na única vez em que atacou durante todo o primeiro tempo, a equipe catarinense chegou ao gol com um passe acidental, furada na pequena área e o auxílio de Leo, nosso zagueiro perdido na jogada – contem-me novidades…

Eduardo Valente/Light Press

Eduardo Valente/Light Press

Também no primeiro tempo, as únicas “jogadas” de perigo real do Cruzeiro foram o bom chute de fora da área de Henrique, para a defesa de Douglas, e mais uma furada de bola dentro da pequena área, protagonizada por Sassá em escanteio. A nossa não entrou.

Apenas o retorno de Arrascaeta aos gramados trouxe algum alento e oportunidade, já no segundo tempo. Logo que entrou o uruguaio botou Élber na cara do gol. O talentoso Douglas Friedrich saiu mal, passou da bola e seu soco acertou apenas a cara do jogador celeste, em cheio.

Um pênalti óbvio, daqueles que o replay é protocolo de TV. Pela clareza cristalina do lance e a falta de apetite ou capacidade ofensiva do Avaí, ouso dizer que o placar tem o dedo do árbitro. Mas espero que isso não atrapalhe a análise de Mano, que ele não se contente em dizer que “o Cruzeiro foi superior ao Avaí” e que não tampe o sol com a peneira. Com este esquema, uma arbitragem de qualidade não basta para voltarmos à disputa do G6, e quero eu que seja esta ainda a ambição do técnico.

Reprodução/TV Globo

Reprodução/TV Globo

Destaque-se que a única mudança em relação ao último jogo foi a saída de Ariel Cabral para a entrada de Sóbis, alterando o 4-5-1 para o 4-4-2. Uma singela mudança que definitivamente não deu certo; Sóbis e Sassá estacionados entre os zagueiros para serem municiados por Élber, que nunca soube armar ou cruzar. Aliás, o “raio celeste” jogou como ala direita, não produziu nada, posto que não tivemos contra-ataques, e ainda prendeu Romero numa função estritamente defensiva, prejudicando uma das melhores válvulas de escape dos últimos jogos.

Eduardo Valente/Light Press

Eduardo Valente/Light Press

Junte isso a um Thiago Neves aparentemente cansado já desde os 20 minutos e distante do gol, posição em que vem rendendo mais, dois volantes que não se apresentam ao ataque – Henrique até vai bem, cumpre sua função, mas Lucas Silva…

Eduardo Valente/Light Press

Eduardo Valente/Light Press

Bem, não vou mais ficar falando do Lucas Silva. Força, garoto. Ninguém desaprende assim. Mas também não vai ser agora que vamos voltar a testá-lo, né, Mano? Cadê o Nonoca, cadê a base?? Falando nos meninos, o Raniel não é craque, mas entrou e jogou mais do que Elber e Rafa Marques juntos.

O jogo de quarta pela Copa do Brasil demonstrará se foram apenas as circunstâncias ou se, de fato, as possibilidades de Mano estão esgotadas. Vale lembrar que o técnico tem responsabilidade também sobre a montagem do elenco, da qual, teoricamente, participou e agregou valor, trabalhando desde a temporada passada. Não gostaria que se julgasse apenas pelo resultado, mas sim, pelo repertório apresentado pelo time, venha classificação ou eliminação.

A tempo, se quisermos disputar a Libertadores após dois anos de ausência (parecem 10, eu sei, mas é só seu coração), devemos:

1) consolidar ao menos um time titular confiável para poder sonhar com o título na Copa do Brasil

2) adquirir variações com este elenco, que é o que se demanda de todo clube no Brasileirão

3) ter um time feminino.

Por enquanto, nada.

Texto com colaboração do Coletivo RAP Feministas


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