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20.07.2017

Postado por Colaboradoras

Vitória gelada e no apagar das luzes

Internacional 1×0 Luverdense – R15 Campeonato Brasileiro Série B 2017

Eu deveria começar esse texto falando sobre como finalmente o Internacional conseguiu ganhar uma partida dentro de casa, mas não há como deixar passar despercebido um fato que ocorreu na entrevista pós jogo. O técnico do Inter, Guto Ferreira, respondendo a uma pergunta feita pela repórter Kelly Costa sobre o poder ofensivo do time, disse: “Desculpe, eu não vou te responder com outra pergunta porque você é mulher e de repente não jogou”. Uma colocação machista, que apenas reforça como o futebol ainda é um reduto extremamente machista. Esse caso não é um caso isolado, quem trabalha ou acompanha futebol lê todos os dias absurdos deste tipo nas redes sociais.

Nós, mulheres, estamos diariamente reforçando o nosso direito de existir em todos os lugares e quando o ambiente é majoritariamente masculino, como é o futebol, a necessidade aumenta uns 100%. Temos que provar três vezes mais do que qualquer homem que entendemos sobre futebol, porque a sociedade em que vivemos acredita que o lugar da mulher ainda é “na cozinha ou no tanque”.

É fundamental que se discuta cada vez mais temas vistos como “polêmicos” sem clubismo, como o machismo e o racismo no futebol, para que esses casos aconteçam cada vez menos. E não adianta brigar ou espernear. porque nós mulheres estaremos em todos os lugares, ocupando os espaços que são nossos por direito.

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Dito isso, vamos ao jogo.

Em uma das noites mais frias do ano, 10.393 torcedores encararam os 7° que marcavam ao início do jogo que, com o acréscimo do vento vindo do Rio Guaíba, diminuía em pelo menos uns dois graus a sensação térmica. Mesmo com uma escalação capenga, com três volantes e três atacantes e sem nenhum jogador de meio campo para armar as jogadas, o Inter começou o jogo com intensidade e atacando o Luverdense. Aos dois minutos do primeiro tempo Nico López marcou para o colorado, mas o assistente anulou o gol por impedimento.

Com a falta de um meia, as ligações diretas eram muito utilizadas pelo time e sobrava até para os volantes finalizarem. Edenílson e Gutierrez perderam chances incríveis cara a cara com o goleiro e Pottker acertou a trave. No fim do primeiro tempo, os primeiros indícios da falta de paciência da torcida; vaias pesadas e gritos como ”time sem vergonha” ecoavam na saída do time de campo. O Luverdense veio a Porto Alegre com a estratégia de não perder e esteve bem postado defensivamente. O goleiro Diogo Silva já era destaque da partida após fazer defesas importantes durante a primeira etapa. Ofensivamente, a equipe de Lucas do Rio Verde não fez muita coisa e pouco perigo ofereceu à goleira defendida por Danilo Fernandes.

Na volta do vestiário, o técnico do Inter mandou o mesmo time a campo, mesmo que fosse visível que precisávamos reforçar o meio de campo para poder trabalhar melhor as jogadas. Com o placar zerado e a torcida impaciente pelos jogos anteriores, as vaias voltaram a aparecer no Beira-Rio. A melhora do time começou a partir da entrada do D’Alessandro, na metade do segundo tempo. As jogadas foram mais bem trabalhadas e o colorado chegava com mais risco até a área do Luverdense.

Quando o termômetro de Porto Alegre já marcava 5,7° e a torcida já começava a ir embora do estádio, o gol do Internacional surgiu. Aos 47 minutos do segundo tempo Carlos, que tinha entrado no lugar do Diego, construiu a jogada e fez lançamento rasteiro para Joanderson. Pottker estava impedido, mas saiu do lance para Joanderson receber. O bandeira, precocemente, marcou o impedimento do camisa 99 do colorado mas o juiz, percebendo que ele não participava da jogada, mandou o lance seguir. Entretanto, os jogadores do Luverdense cuidaram apenas a sinalização do bandeirinha e pararam a jogada. Joanderson, que estava com a bola e percebeu que o arbitro não tinha apitado nada, tocou para Pottker empurrar para as redes.

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Foi aí que a confusão começou. Os jogadores do Luverdense cercaram a equipe de arbitragem, pedindo a anulação da jogada. Os jogadores do Inter comemoravam o gol e o fim da zica em casa e até mesmo membros da diretoria colorada e o presidente do clube visitante entraram em campo. A confusão durou mais de dez minutos, mas no fim, o árbitro Igor Junio Benevenuto confirmou o gol colorado e o alívio para os mais de dez mil torcedores que saíram de casa na gelada noite gaúcha.

 

Fotos de Ricardo Duarte/Internacional

Por Thaianny Pontes

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