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03.08.2017

Postado por Patrícia Muniz

Quem não faz, leva!

Atlético Mineiro 0 x 2 Corinthians – R18 Campeonato Brasileiro 2017

Que saudade eu estava do gigante da Pampulha, aquele cunhado como o salão de festas do Galo! Com ingressos a preços acessíveis e o apelo do cube à paixão e fidelidade do atleticano, mais de 45 mil torcedores compareceram ao Mineirão para cumprir a missão de empurrar o time e retomar o caminho da vitória, que infelizmente não veio.

Estava tão linda a festa nas arquibancadas e o apoio incessante que, muitas vezes, eu me distraía do jogo e ficava contemplando, com orgulho, a torcida mais linda dessas terras. É inegável o poder que a massa atleticana tem de reverter resultados impossíveis e atuar como o décimo segundo jogador em campo, mas infelizmente dessa vez a paixão não foi suficiente para frear a máquina corintiana. Demos um show nas arquibancadas e esse sentimento precisava mesmo ser resgatado. As vaias aconteceram ao final do jogo, diante da decepção com o placar, mas a diferença foi justamente como essas vaias foram abafadas pelos cantos de apoio e amor ao alvinegro.

Bruno Cantini/Atlético

Bruno Cantini/Atlético

Escutando atenta aos comentários dos torcedores na saída do Mineirão e no caminho pra casa, eu percebi que no calor do jogo não é positivo para a análise do que aconteceu em campo. Muitos se apegam apenas ao resultado e chegam a dizer que, primeiro, precisamos resolver a tal bagunça da casa, isto é, organizar a zaga. Outros dizem faltar raça e empenho, a famigerada sede de bola. Cheguei a escutar que, na verdade, o que o Galo precisa é de bons batedores, está faltando porrada, entradas violentas e outras demonstrações acintosas de vontade de ganhar. As conclusões são várias e o sentimento é um só: o que falta para o Galo voltar a vencer em casa?

Eu aposto as minhas fichas que a deficiência atual deste time esteja na criação e no ataque, com finalizações certeiras, propriamente ditas. A regra é clara: quem não faz, leva – ainda mais quando se joga contra o líder do campeonato, não podemos desperdiçar tantas oportunidades. Um ditado futebolístico dos mais antigos e parece que o Galo anda se esquecendo. A posse de bola era nossa e fazíamos muita pressão no campo adversário, porém eram bolas alçadas na área sem o objetivo concreto de gol, rebotes insistentes em jogadas que não resultavam em absolutamente nada e tentativas individuais de resolver a partida que passaram longe do gol defendido por Cássio.

Foram tantas as tentativas de abrir o placar, que não se pode dizer que o Galo não deu trabalho ao goleiro Cássio. Chegamos, sim, algumas vezes com perigo e forçando defesas difíceis do adversário, mas não conseguimos converter essas movimentações e jogadas em gols, o que foi determinante para que nós saíssemos de campo sem os três pontos.

Alexandre Guzanshe/EM/D. A Press

Alexandre Guzanshe/EM/D. A Press

Jô é um dos melhores atacantes do Brasil, um centroavante nato e precisa de pouquíssimas tentativas para alcançar um tento. Efetividade no ataque é uma das grandes armas do Corinthians e Victor chegou a dizer que a equipe corintiana chega com frieza na frente. E, quando dizem que o time paulista joga essencialmente sem a bola, não se pode duvidar. O poder de marcação por pressão e compactação coroa o líder isolado deste campeonato. O Galo teve muita dificuldade para furar essa marcação, que estava bem avançada e nos forçava a arriscar de fora da área, sem sucesso. Muitos elogios podem ser feitos ao rival, mas certamente não justifica o desempenho que temos dentro de casa esse ano.

Interrompemos um planejamento que, estatisticamente, vinha sendo positivo. A equipe claramente ainda não estava pronta e não há nada mais natural, considerando o pouco tempo de trabalho do treinador demitido recentemente. Agora, estamos experimentando peças novas e temos um técnico com expectativa de ficar apenas até o final do ano. Não sei bem o que esperar da equipe, mas seguirei fielmente apoiando e sempre lembrarei que estádio é lugar de TORCER, tal como fizemos ontem.

Guardo esperanças de dias melhores, mas ciente que estamos no processo lento e difícil de reestruturação e lamento perceber que ainda demoraremos um tempo até reencontrar o bom futebol, principalmente diante da impaciência da diretoria com trabalhos em longo prazo e propostas que fujam do imediatismo. Não se constroem equipes campeãs da noite para o dia e precisamos nos atentar, agora, aos caminhos que trilharemos no futuro para chegar ao topo de qualquer competição.

Bruno Cantini/Atlético

Bruno Cantini/Atlético

 

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