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25.09.2017

Postado por Colaboradoras

A Final no Clássico dos Milhões

O ano de 2006 começou com forte desconfiança por parte da torcida do Flamengo, ainda em reflexo ao retrospecto do ano anterior. Em 2005, o Rubro-Negro carioca viveu um drama com o risco real de rebaixamento, só na reta final do campeonato que o time, sob o comando do técnico Joel Santana, conseguiu operar um milagre com uma boa sequência e escapou do rebaixamento naquele ano.

Na edição da Copa do Brasil de 2006, o time ainda estava cercado de desconfiança e ao longo da competição o Rubro-Negro foi se saindo vitorioso das partidas até chegar à final, como conta Obina. “Eu acho que foi um momento único para quem participou daquela final histórica, onde a gente vinha de um momento difícil no ano anterior e logo no ano seguinte tínhamos em nossa consciência de que o Flamengo é um time muito grande e de que não era para estar passando por momentos como aquele e que a gente precisava de uma conquista”. Para incrementar, o roteiro foi acrescentado um ingrediente especial; quis o destino que aquela final fosse disputada no Clássico dos Milhões, sendo a primeira final na história da competição com equipes do mesmo estado. E com esse enredo, Flamengo e Vasco disputaram o título no Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã.

Na final contra o Vasco era considerada presença obrigatória a torcida Rubro-Negra e veio das arquibancadas as histórias de amor pelo clube e a apreensão por uma final recheada de rivalidade. Rodrigo Machado foi um dos torcedores que não deixaram de comparecer ao Maracanã. “Na segunda partida eu estava com o braço esquerdo mobilizado porque no dia anterior havia passado por uma cirurgia. No dia seguinte me deu muita vontade de ir ao jogo. Então, cheguei como braço engessado e na tipoia”.

Luiz Felipe também encontrou dificuldades para ir ao jogo da Final. “Todos sabíamos que esse Flamengo e Vasco era tenso demais e ninguém queria estar de fora. Faltei ao trabalho, é claro, e namorava e morava na Região Oceania de Niterói e tinha que ter um plano antes de cruzar a ponte no carro do sogro. As notícias não eram nada animadoras. Tumulto na Gávea, fila interminável no Maracanã… então tive uma ideia macabra de comprar os ingressos em São Januário. Pedi proteção pra São Judas e infelizmente tive que me desfazer da imagem do padroeiro que carregava na carteira, mas fui na fé Rubro-Negra”.

Naquele ano também teve Copa do Mundo e esse foi o motivo que fez com que os times disputassem a final 60 dias após os jogos das semifinais. Após a longa espera, a primeira partida aconteceu no dia 19 de julho de 2006 e o Flamengo foi a campo com Diego, Renato Silva, Ronaldo Angelim, Fernando, Leonardo Moura, Jônatas, Toró, Renato Abreu, Renato Augusto, Juan Maldonado e Luizão. Mas veio do banco o autor do primeiro gol do mais querido e ele destaca a emoção. “Eu no banco de reservas acabo entrando e logo depois faço o primeiro gol da final, foi muito marcante”. Disse Obina, o jogador que abriu o placar aos 14 minutos do segundo tempo, após cobrança de escanteio em que a defesa vascaína falhou no corte e a bola sobrou para o atacante, que não desperdiçou e acertou a bola no canto do gol adversário.

Obina 1

Agência O Globo

segundo veio logo em seguida, após o cruzamento do lateral Leonardo Moura o atacante Luizão aproveitou, cabeceou e ampliou para o Rubro-Negro, aos 17 minutos. Em entrevista, o atacante Obina destacou que mesmo o Luizão sendo um jogador experiente, ele nunca havia conquistado um título da Copa do Brasil em toda a sua carreira. 

Guilherme Pinto/Jornal O Globo

Guilherme Pinto/Jornal O Globo

O Flamengo colocou uma vantagem de 2 gols em cima do rival. Sob a expectativa de soltar o grito de campeão, o segundo e último jogo foi disputado no dia 26 de julho de 2006, com público de 45.459 pagantes.

Marcela Maciel estava na arquibancada no segundo jogo, acompanhada da irmã e de um amigo, e conta que eles não conseguiram comprar os ingressos, que na época custavam 30 reais cada, mas mesmo assim foram até o Maracanã. Chegando no estádio os cambistas vendiam os ingressos por 50 reais e eles não tinham dinheiro o suficiente para comprar três ingressos. “Chegando lá, é claro que não conseguimos. Sentamos na frente do Bellini e começamos a chorar. O jogo já tinha começado. Minha irmã chorava copiosamente, um cambista viu e perguntou e o que havia a acontecido e falou: Me dá 60 reais e eu dou os três ingressos”.

Dentro do Maracanã o clima começou quente, logo aos 16 minutos Valdir Papel cometeu uma falta duríssima no lateral Léo Moura e foi expulso após levar o segundo amarelo. E outro lateral foi destaque na final, Juan Maldonado, lateral-esquerdo que levou a nação à loucura quando acertou um chute na entrada da área aos 17 minutos do primeiro tempo, marcando bonito gol e colocando o Flamengo à frente do marcador e aumentando o placar agregado.

Guilherme Pinto/ Arquivo O Globo

Guilherme Pinto/ Arquivo O Globo

E foi com o placar de 1×0 que terminou a final. Ainda hoje fica na memória da torcida rubro-negra um dos jogadores daquele elenco que representou tão bem a mística rubro-negra. Autor de gols importantes, Obina conta como foi jogar pelo Flamengo e fala com carinho da torcida. “O patrimônio maior do Flamengo são os torcedores, é a torcida, é impossível vestir a camisa do Flamengo, jogar um jogo no Maracanã e você não sentir essa vibração de estar jogando em um clube que é o que tem os mais apaixonados. Acho que quem vai para campo com a camisa do Flamengo e não sente isso, é porque não é capaz de vestir a camisa. Cada momento que eu vestia a camisa do Flamengo eu me sentia blindado e agradecido”.

Para o flamenguista Ragi Achcar, uma das imagens que ficou na memória foi a torcida comemorado a vitória nas ruas do Rio. “Nunca vou esquecer de ficar parado no trânsito do Rebouças (a torcida do Flamengo costuma parar o túnel na volta para a zona sul em comemorações de títulos) e depois fui correndo pelo o túnel com meus amigos, gritando os cantos da torcida”.

Em 26 de julho de 2006, o Flamengo conquistava o Bicampeonato da Copa do Brasil, 16 anos depois, contrariando os desacreditados que no início do ano não imaginariam que a equipe poderia chegar tão longe na competição.

#AESPERADOTETRA 

Titulo 3

 

Por Jaqueline Botelho

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