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21.09.2017

Postado por Raisa Rocha

O Grêmio é o sentimento que se chama de coração!

Grêmio 1×0 Botafogo – Quartas de final da Copa Libertadores da América 2017

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Lucas Uebel

Pelo amor de todas as deusas e deuses, que sofrimento! Ainda estremeço em recordar o dia e a noite de ontem. A trégua vem ao lembrar que foi legal, que valeu, que existiu o gol de cabeça do Barrios. O Grêmio é copeiro e o Grêmio está nas SEMIFINAIS da Libertadores, porra!

Uma enxurrada de sentimentos nos tomou conta neste 20 de setembro, o dia do “Ah, eu sou Gaúcho!”. Muitos gremistas não estiveram no Rio Grande e outros tantos, por diversos motivos, não viveram um dia festivo e de feriado. Pra essa gente toda, aonde eu me incluo, foi ainda mais difícil o dia que teimava em passar lentamente, lutando para colocar outra coisa na mente que não fosse o Grêmio e a decisão que viria. Ansiedade, nervosismo e euforia antes de tudo começar. Com a bola em jogo, aflição, angústia, perplexidade, desespero e euforia novamente, com o suado gol tricolor. Até o apito final, mais nervosismo, drama, apreensão, contração anal e, finalmente, alívio e êxtase ao fim.

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Até então o Grêmio tinha jogado futebol, mas ontem foi na raça. Não, não foi no jogo bonito e definitivamente não é assim que se ganha a América! Nos (mal) acostumamos a ver um Grêmio mágico, superior, com posse de bola, domínio de jogo e doses de espetáculo. Errados estamos nós! Por todas as vezes no ano em que o Grêmio saiu derrotado na Arena não foi por superioridade ou por sofrer domínio adversário; foi por estratégia, por uma bola, por displicência nossa ou por entrar com times desfigurados em campo. Ontem não, na Libertadores não, cada vez mais perto da taça não, contra o Botafogo não.

O Botafogo foi um adversário terrível na Arena (lembrando que no Rio, quem mandou no jogo foi o Grêmio). Nos apavorou, acuou, fez Arthur desaparecer em campo, não deixou o tricolor trocar dois passes, fez Grohe mais uma vez mostrar seu valor aos que insistem em criticá-lo, entortou e derrubou o Kannemann no chão e fez o Geromel sair de bico em praticamente todas as bolas, como nunca antes. Aliás, bendito seja o Pedro Geromel. O nosso deus em campo sentiu a falta de ritmo, mas se fosse o menino Bressan… não iria aguentar a pressão. A classificação veio no gremismo, na raça, na superação, na força dessas três cores, da cabeça de um centroavante.

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Atenção pro sorriso premonitório do Geromel – Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O jogo começou feio, pegado. A torcida explodia e a bola não parava no chão, pipocando pra todo lado, sempre caindo melhor no pé do Botafogo. Todas as mandingas suplicantes pela volta de Luan não foram o suficiente e mais uma vez entramos sem meio de campo e com uma linha de três do pesadelo: Ramiro perdido no meio, Léo Moura perdido na direita e Fernandinho na esquerda, aonde rende muito menos. Foi desesperador ver o tricolor tentando tentar alguma coisa sem conseguir coisa alguma. Kannemann entregou várias, Cortez sem Pedro Rocha não é o mesmo, Edílson foi razoável, Michel errou muito, Arthur foi anulado e errou passes (!), Ramiro vive a curva descendente, Barrios isolado e o Botafogo indo pra dentro. A coisa ia mal, ia péssima, quando entrou em campo o Portaluppi!

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Reuters

Com audácia, personalidade e maturidade ele tirou o Léo Moura ainda no primeiro tempo e mandou o Everton pro jogo, aos 37′. Nos poucos minutos que seguiram até o intervalo, o Grêmio já mostrava outra postura com a inversão de lados entre o Cebolinha e Fernandinho. Também avançaram Ramiro e Arthur, mais próximos do ataque, tentando garantir melhor controle da bola. Mas nada que nos fizesse acalmar o coração.

Veio o segundo tempo e que SIRVAM AS NOSSAS FAÇANHAS DE MODELO A TODA TERRA! O Grêmio veio outro, mesmo que com as mesmas dificuldades e Luan sentado no banco. O Botafogo já não tinha mais o ímpeto nem o espaço para nos atacar. Meio sem jeito e na imposição, começamos a tentar girar a bola. Se desenhava uma pressão, aquele Grêmio insano e esfomeado pelo gol crescia atacando de frente pra sua arquibancada pulsante. Gatito era testado e o jogo seguia tenso, com cartões e faltas pra todo lado. E foi numa dessas faltas, batida lindamente por Edílson, que ela se ergueu na direção do Barrios. No estilo matador, centroavante, copeiro, meteu a cabeça nela e pro fundo das redes. Só assim, só na bola parada. E é disso que se fazem os campeões!

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Lucas Uebel/Grêmio FBPA

A tensão não diminuiu até o final e confesso que não consegui comemorar verdadeiramente o gol, só me vinha à mente que “o 1×1 é deles”. Mas não foi. Aliás, na segunda etapa o Glorioso só jogou bola pra área e viu os verdadeiros Kannemann e Geromel segurarem a barra. Teve cartão pra todo lado, falta feia, bate boca, Grohe fazendo cera, aquelas coisas de sempre. E teve um Grêmio genuíno, ao melhor estilo das suas facetas: o Rei de Copas e o Imortal.

Daqui há mais de mês, em 25 de outubro, pegaremos o embaçado Barcelona, em Guayaquil. Se o uruguaio Jonatan Álvez já fez 5 gols nessa Copa e 4 deles em times brasileiros (1 no Botafogo, 1 no Palmeiras e 2 no Santos), a boa notícia é que ele foi expulso e não joga o jogo de ida. No mais, só quero acreditar em duas coisas: Luan estará de volta e não haverão outras perdas.

E vão secar a mãe de vocês! “Nossa, ganhou não jogando nada”. Por tanto tempo realmente não tivemos grandes times, não jogamos nada, sempre acreditamos e sempre fomos eliminados. Dessa vez, engulam, porque este Grêmio é do tamanho da América, que será libertada.

Reuters

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