VOLTAR

,

10.10.2017

Postado por Ana Clara Costa Amaral

Vamos falar de pentacampeonato!

Cruzeiro 0 (5 x 3) 0 Flamengo – Final da Copa do Brasil 2017

Cristiane Mattos/Cruzeiro

Cristiane Mattos/Cruzeiro

Em nome das gerações futuras, a nação azul adverte: o DNA copeiro é forjado em glórias e derrotas, apenas o efêmero vive só das primeiras. À tradição vitoriosa adiciona-se uma dose de frustração, na medida certa que faz com que cada final seja encarada com a devida reverência.

Em matéria de finais, a nação azul é vacinada. A rubro-negra também. A campanha de marketing da “Final de Gigantes” saturou um pouco a paciência por aqui, mas o entorno do Mineirão era isso: um encontro de velhos conhecidos, nenhum eufórico, ambos confiantes. O moletom da sorte no calor alucinante, uma tensão gostosa de ver flamenguistas subindo a ladeira para o estádio em meio aos cruzeirenses, trocando apenas alguns palavrões cordiais. Era o ritual de um duelo, não de uma guerrilha…

Ana Clara Costa Amaral

Ana Clara Costa Amaral

Não sei quanto ao Raposão gringo ou o Urubu comendo queijo, mas as torcidas representavam bem a grandeza dos clubes.

Vencidas a ladeira e a fila da cerveja, cada um na sua trincheira no templo do futebol mineiro, a tempo de ver Sorín abençoar a taça. Tudo nosso! Recorde de público em tempos de padrão FIFA: 61.017 presentes. Nostalgicamente menor do que o recorde pré-FIFA, também celeste: 132.834 na final do Mineiro de 1997, contra o Villa Nova!

Dan Costa

Dan Costa

Começado o jogo as expectativas se confirmaram. “Não tá sendo fácil” e o menino Raniel, herói da classificação contra a Chapecoense e jogador mais arisco e perigoso no ataque cruzeirense, sente as duas pernas e sai carregado, com apenas 4 minutos de jogo. Nossa campanha, que já tinha a cara de heróis improváveis como a dele, de Diogo Barbosa e de Hudson, ganhava contornos ainda mais dramáticos.

Perdemos também Robinho no primeiro tempo. Pressentimos, mas a partir daí sabíamos: aquele era o jogo do Fábio. Pagamos o ingresso para ver o Cruzeiro em mais uma final, mas também pelo fim de um racha. Era estranho o goleiro que mais vestiu a camisa celeste, de gigantes mundiais como Raul Plassmann e Dida, não ter uma Copa pra chamar de sua.

Os técnicos, que digam o que queiram, mas pra torcedora era ali mesmo que Fábio encerraria o tópico sensível dos duelos botequeiros. O caneco épico que faltava em sua carreira ou o eterno mão de alface.

Cristiane Mattos/Cruzeiro

Cristiane Mattos/Cruzeiro

À medida em que a partida se arrastava pegada, feia e sem maiores chances, a perspectiva da decisão por pênaltis angustiava, mas também confirmava os presságios mais otimistas da afirmação final do camisa 1.

Arrascaeta cabeceou pra fora em incrível falha de Muralha; Rafinha se candidatava ser o herói da noite, para mim um dos melhores em campo; Fábio salvou na melhor jogada individual de Paolo Guerrero… e a disputa foi para a marca da cal. Mais uma vez.

Henrique, o capitão, iniciou as cobranças. 1 a 0.

Guerrero não cedeu à sina dos “destaques do time” e empatou. 1 a 1.

Depois Léo, cruzeirense de berço e um monstro em campo. 2 a 1.

Juan empatou, 2 a 2.

Hudson assumiu a bronca e colocou o Cruzeiro em vantagem novamente.

Diego, o craque do time, recém-convocado, caminhava para a cobrança. Fábio, copa, penta… fuck CBF, é agora. E foi. Cruzeiro 3 a 2.

Diogo Barbosa, marrento, ainda bateu com muita categoria.

E Trauco converteu para o Flamengo.

Por fim, nos pés de Thiago Neves. Esquisito, chorado, escorregado: no ângulo.

Explosão de reclamações por parte dos flamenguistas, que o pé que bateu na bola bateu no outro pé que também bateu na bola e…. não deu. A explosão estrelada foi maior, guerreiros consagrados e o Mineirão já gritava uníssono: puta que pariu, é o melhor goleiro do Brasil. Fábio!

Inscrito para sempre no rol dos gigantes celestes.

Ramonchs

Ramonchs

Ler mais da Ana Clara Costa Amaral

Ler mais do Cruzeiro

Ler mais da Copa do Brasil

A Bola que Pariu