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05.11.2017

Postado por Patrícia Muniz

Reação e frustração na Vila

Santos 3 x 1 Atlético – R32 Campeonato Brasileiro 2017

Estamos a seis jogos do final do Campeonato Brasileiro e o sonho de uma vaga para a Libertadores parece se distanciar ainda mais. Mesmo tendo bons resultados fora de casa, o Galo não conseguiu frear o ataque do Santos, sofreu com os cruzamentos e perdeu por 3 a 1, na Vila Belmiro.

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

O Santos se defendeu muito bem atacando. É a eficiência do time santista no ataque, com uma marcação alta e pressão no campo adversário, que protege sua defesa tão aberta. Já o Galo ficou assistindo ao jogo no primeiro tempo, marcou de longe e deixou o Santos jogar. O ataque atleticano não incomodava e o goleiro adversário simplesmente não trabalhou. Ao final, em cruzamento de Bruno Henrique, a defesa acompanhou apenas o movimento da bola e não marcou Arthur Gomes, que ficou livre para abrir o placar.

Acontece que o Galo voltou aguerrido depois do vestiário e esboçou uma virada. Parece que o discurso motivacional do Oswaldo é bom – pelo menos isso. E, logo nos primeiros minutos da segunda etapa, Robinho cruza e Fred marca de cabeça. O time da casa dava espaços, recuou e nos chamou para jogar, já prevendo os contra-ataques em velocidade. Fomos para cima e Bruno Henrique, de novo, cruzou na área para levarmos o segundo o gol.

Bruno Cantini/Clube Atlético Mineiro

Bruno Cantini/Clube Atlético Mineiro

Ainda assim, o jogo não ficou fácil para o Santos. Ao contrário, o Galo continuou a pressionar e buscar o novo empate. Robinho meteu um bolão na trave, em jogada muito semelhante com aquela que resultou em seus dois gols no clássico. Mal deu tempo de recuperar o fôlego e Leo Silva carimbou a trave esquerda também. Em seguida, entregamos um contra-ataque certeiro e Ricardo Oliveira desperdiçou, mas, no lance seguinte, o ataque santista não vacilou e marcou o terceiro, fechando o placar. A frustração é maior que a raiva.

A chapelaria santista fez parecer que levamos um baile, mas nós apenas pagamos caro o preço de ter ido pra cima. Se aquela trave não tivesse impedido a rede de balançar, certamente, a leitura do jogo seria diferente. Robinho sofreu muita pressão na Vila Belmiro e, quando tomou uma caneta entre as pernas, logo no primeiro tempo, a torcida santista foi ao delírio. O menino das pedaladas poderia ter sido novamente o nosso herói da partida e cair nas graças da mídia, mas a bola não entrou, a torcida do Peixe não perdoou e agora a cobertura é outra.

Para soar as cornetas, eu só posso dizer que, obviamente, precisamos treinar a postura defensiva em cruzamentos. Além disso, se a diretoria quer mesmo o tal estilo Galo Doido, jogando no limite, então é bom garantir ao menos um volante de marcação para compensar a falta que o Donizete ainda nos faz. O Adilson não tem efetividade no combate e desarmes, apesar de ter um bom toque de bola. Ele foi contratado para cumprir outro estilo de jogo, menos intenso e com mais trabalho tático. Precisamos de um primeiro volante com urgência, precisamos de um meio campo que não fique apenas marcando a bola à distância, como foi o primeiro tempo desse jogo.

Algo que me incomoda no time atleticano há um bom tempo é a ausência de jogadas ensaiadas. Não trabalhamos a bola sequer em faltas que poderiam colocar a bola dentro da área. Em faltas sofridas no meio campo, a bola sempre acaba voltando para a zaga em um toque rápido. O que parece pressa para seguir a jogada, para mim, soa como despreparo.

Bruno Cantini/Clube Atlético Mineiro

Bruno Cantini/Clube Atlético Mineiro

E, por fim, como desabafo: quando o Fred fica 12 jogos sem marcar, não vejo ninguém apontando a cachaça ou qualquer outra questão moral como a responsável pelo desempenho abaixo do esperado. A titularidade dele sequer é questionada. Já com Cazares a história muda, os críticos não perdoam e apelam para a sua vida pessoal. Cazares é habilidoso e tem grandes momentos de genialidade, que não se manifestam com regularidade, mas que podem decidir o jogo e por isso mesmo não consigo vê-lo no banco. Eu faço coro à insistência de Oswaldo na continuidade do trabalho do equatoriano, pois, mesmo oscilante, o garoto é o líder de assistências do grupo esse ano.

Leia a versão santista do jogo.

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