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09.11.2017

Postado por Colaboradoras

O rubro-negrismo nosso de cada dia

Flamengo 2 x 0 Cruzeiro – R33 Campeonato Brasileiro 2017

Futebol Feminino

Na noite de ontem (08), as meninas do Flamengo/Marinha foram até a Ilha do Urubu para receber homenagens pelo título do Campeonato Carioca Feminino 2017. Além da conquista, as meninas da gávea foram campeãs invictas. Este foi o último campeonato da temporada e a preparação para 2018 começa no próximo dia 20 de novembro.

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Saiba escolher onde assistir a uma partida de futebol e você não irá apenas assistir à partida. Geralmente, os melhores lugares são aqueles das cadeiras amarelas, sem nenhuma elegância, popularmente conhecidos como pé sujos. No jogo da maior e mais invejada irmandade desse Brasil, Flamengo e Cruzeiro se reencontraram na primeira partida após a trágica – para a gente– final da Copa do Brasil, dessa vez na Ilha do Urubu.

O destaque do jogo foi o Seu Zé, rubro-negro que estava assistindo a partida no Quiosque do Maurício. Seu Zé é um show à parte; o homem comenta a partida do início ao fim, isso quando não está brigando com alguém que contestou algo que ele disse. Digo que o protagonismo foi dele, porque a partida não foi lá aquela animação toda.

Para que fique bem claro, seu Zé detesta o Felipe Vizeu, do início ao fim ele cornetou o garoto. Detesta tanto que nem o nome sequer ele sabe, ao fim partida já afirmava com absoluta certeza que ele se chamava Tadeu.

– Olha lá, ele não sabe nem correr!

– Banheira, foi banheira de novo!

– Como é o nome desse menino mesmo?!

– Olha lá quem foi! Tadeu, claro! Horrível!

O típico rubro-negro empolgado e com um pé no pessimismo. Se na partida de ontem o Vizeu fizesse 2 gols para o Seu Zé, para mim e para o restante de rubro-negros espalhados pelo mundo, já seria motivo o suficiente para considerar o garoto como o melhor do Brasil, da América do Sul e quiçá do Mundo. Naturalmente empolgados.

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Flamengo Oficial

E foi uma ajeitadinha de cabeça do Vizeu que resultou na finalização do Everton, que abriu o placar aos 36 minutos do primeiro tempo.

A segunda etapa começou sonolenta e enquanto isso eu me divertia com o ilustre rubro-negro, até que alguém no quiosque entrou no papo da final da Libertadores. O suficiente para tirar Seu Zé do sério; incrédulo com a quantidade de pessoas que não iriam torcer CONTRA o Grêmio, quando ele já exaltado se auto-afirmava como NÃO admirador do Renato Gaúcho.

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Enquanto discutia, dava uma olhada na TV e criticava o Felipe Vizeu, ou melhor, o Tadeu. Impaciente com o garoto, ele foi à loucura quando o técnico Rueda tirou Paquetá para entrada do Vinícius Junior e o centroavante permaneceu em campo.

-Olha lá, já fez merda!

O jogo se aproximava dos minutos finais e seu Zé, como bom rubro-negro, já estava pessimista de que algo pior poderia acontecer. Para quem desconhece o típico rubro-negro, o DNA é exatamente esse – nem que o jogo esteja 7 x 0, nunca estamos seguros de que não irá acontecer o pior. Quem nunca escutou aquela velha frase de que para o Flamengo nunca é fácil, é sempre com emoção?

O alívio do seu Zé, meu e de milhares veio aos 48 minutos, dos pés do garoto Vinicius Júnior, que recebeu a bola livre e marcou o segundo e último gol da partida. Enfim, todos puderam respirar. Exceto Seu Zé, que entrou numa discussão acalorada ao afirmar que no contrato do Vinicius Júnior com o Real Madrid estava escrito que o garoto não pode jogar a partida inteira nos jogos que atua pelo Flamengo. Quando contestado de onde tirou essa informação, logo tratou de esclarecer.

–Meu filho, eu sei tudo de Flamengo. Está escrito, eu tenho certeza!

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Ainda deu tempo de assistir a um Seu Zé completamente assustado com a vitória do Vasco na Vila Belmiro e gargalhar ao saber da derrota do Palmeiras. De fato, não foi uma partida animadora, mas como diria Guimarães Rosa, “é junto dos bão que a gente fica mió”, portanto, saiba escolher seu templo para o ritual e nunca será apenas uma partida.

Saudações rubro-negras!

Leia a versão cruzeirense da partida

 

Por Jaqueliny Botelho

Fotos de Gilvan de Souza/Flamengo

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