VOLTAR

,

02.12.2017

Postado por Colaboradoras

Crônica de uma TRIcolor campeã da América

Lanús 1 x 2 Grêmio – Final da Copa Libertadores da América 2017

1º jogo fora, 2ª ida a Lanús, 3ª Taça Libertadores

FOTO1a

“Grêmio, Grêmio, nós somos campeões da América…”. Sim, esse texto começa pelo final. Isso porque já se passaram alguns dias e todos conhecem o desfecho dessa história. Todos viram (ou ouviram) a festa do tricampeonato do Tricolor gaúcho, seja no rádio, na televisão, na internet ou ao vivo. Aliás, é desse privilégio de ter assistido e vivido isso tão de perto, lá de dentro do estádio do adversário, que essa crônica se trata. Mas, antes, voltemos ao começo…

O princípio de tudo foi há muitos anos atrás, quando mais uma gaúcha caiu nos encantos desse irresistível amor chamado Grêmio. E, de lá para cá, muita coisa passou. Muita, mesmo. E a jornada do Tri dessa guria começou quando algum deus do futebol fez ela estar no lugar certo, no momento exato.

Há seis meses, buscando qualificação profissional, eu chegava à Argentina, mais especificamente a Buenos Aires, com namorado, cachorro e tudo o que tinha direito. Mal sabia que essa viagem me presentearia com muito mais do que um idioma novo, uma cultura linda e pessoas incríveis: ali, há 1 hora e 20 minutos da minha nova casa, eu veria o meu time do coração conquistar a América.

Eu já amava o Grêmio há muito tempo e vivi lembranças no Monumental da Azenha, que me trazem às lágrimas enquanto escrevo esse texto. Também alentei na Arena, com todo o coração, ainda que impressionada com aquele luxo, que não lembra nem de longe o descontrole do Olímpico. Mas dinheiro, estudos e outras prioridades da vida adulta nunca me permitiram seguir o time a toda parte. Na verdade, a nenhum lado. A partida decisiva da Libertadores 2017 seria o meu 1º jogo fora de casa.

Kyane Sutelo

Kyane Sutelo

Há uma semana da grande final, eu estava em Lanús. Sim, na casa do adversário. Vesti meu lado profissional e abri o coração e o bloquinho para ouvir e anotar cada palavra emocionada das torcedoras do Granate. Ali, fui apenas a “periodista brasileña” captando tudo que via e percebia, para relatar aos leitores do A Bola que Pariu. Já no dia 29/11/2017, essa inesquecível quarta-feira, eu me preparava para ser a torcedora gremista e nada mais. Não dormi de noite e peguei meu ingresso na mão minutos antes de caminhar desesperada até Puerto Madero, buscando o transfer que me levaria para ver o Tricolor. Seria a minha 2ª ida a Lanús.

Uma visita a Lanús: quem é o adversário do Grêmio na final da Libertadores 2017?

E não é que consegui o ingresso, entrei no ônibus com meu baita companheiro de jogo e, junto a outros apaixonados pelo Grêmio, parti em busca da taça?! A viagem? Essa foi um nervosismo só. A chegada? Nervosismo em dobro. A mídia especulava sobre pedradas e agressões dos hinchas granates, a polícia circulava o comboio, aumentando a tensão. Mas e eu? Eu só queria ver o meu Tricolor. Só queria cantar e alentar, até a conquista maior.

Desceram todos dos ônibus. Era hora de seguir a pé. Estava perto. As ruelas do bairro eram pequenas para a invasão azul, preta e branca que estava começando. Alguns moradores acompanhavam a movimentação, atentos, das janelas e portas de suas casas. Outros preferiam garantir um dinheiro, comercializando cervejas, refrigerantes, águas, panchos, choripan e, inclusive, bonés e chaveiros do Tricolor. Três revistas policiais depois, estávamos no estádio.

FOTO2

Dentro do La Fortaleza, os donos da casa embelezavam a maior parte das arquibancadas, pintadas de grená. Mas aquele canto, lotado com cinco mil gremistas cantando (números oficiais) que vi quando levantei os olhos, me fizeram lembrar dos tempos do Monumental. E agradeci aos céus por cada minuto ali. O primeiro tempo? Esse passou voando. Voando assim como o time do Grêmio, que deixou a tradição do sofrimento de lado e deu show em campo, fazendo dois gols incríveis. Mas, obviamente, o segundo tempo tinha que deixar o coração apertado, como só o Grêmio sabe fazer.

O Lanús voltou para o campo determinado a ganhar sua primeira Libertadores. Mas eu também estava determinada: iria cantar até acabar com a voz, até acabar com a energia, até acabar com o planeta… E não estava sozinha. Cada um que gritava pelo Grêmio, empurrava o time para a vitória. Pênalti. Gol do Granate. Rola a bola novamente. Expulsão do Ramiro. Desespero? Sim. Desânimo? Nunca. Dentro de campo, aqueles guris acreditaram que podiam. Os jogadores acreditaram que deviam e mereciam esse campeonato, exatamente como cantava para eles aquela torcida fanática.

Estava quase. E esse quase foi com tanta maestria, que eu não tinha visto nos últimos tempos. Perguntei para o senhor ao lado quanto tempo faltava. Dez minutos. Com certeza, os mais longos dez minutos. Eu pulava, gritava e alentava, como nunca. Ou melhor, como sempre. Pois não deixei de apoiar nem nos tropeços dos outros anos. E, então, ouvi. Ouvi o apito final. E também vi. Vi os jogadores chorarem e festejarem aquela taça. Vi Renato, o homem-gol de 83, copar pelo Tricolor. Vi e senti tudo de pertinho. Ah, chorei… Chorei junto com todos que estavam ali e com os que não puderam estar.

Foi essa a minha tão sonhada 3ª conquista da Libertadores. Cantei: “Grêmio, Grêmio, nós somos campeões da América…”.

FOTO3a

 

Por Kyane Sutelo

Fotos de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Ler mais do Grêmio

Ler mais da Copa Libertadores da América

A Bola que Pariu