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21.01.2018

Postado por Raisa Rocha

Até parecia o Grêmio

Grêmio 3 x 5 Caxias – R02 Campeonato Gaúcho 2018

Cá estamos no Campeonato Gaúcho, a pré-temporada quase de luxo pelos jogos com bom nível de competitividade, principalmente os que se dão no interior gaúcho, com a torcida próxima do campo e o clima de futebol raíz.

É certo iniciar a competição sem os titulares no que diz respeito a preservá-los de lesões prematuras e, principalmente, por dar cancha aos guris, que serão certamente solicitados nessa longa temporada. Por outro lado, os resultados. Serão eles satisfatórios com o grupo de transição? Conseguiremos a classificação para as quartas do Gauchão? Lembrando que não é errado afirmar que deixamos de conquistar o Campeonato Brasileiro do ano passado pelos jogos com time não titular, sem nenhuma vitória. O que pouco importa, pois conquistamos a Libertadores da América e a Recopa Sul-Americana já chegará em fevereiro, o primeiro grande objetivo do ano.

Sendo assim, o tempero deste Grêmio x Caxias sob o comando de César Bueno veio no embalo da notícia da renovação de Cícero, a ser assinada na segunda-feira, e das estreias de recém chegados. Além, é claro, do reencontro do torcedor TRIcampeão com a Arena do Grêmio, de onde o maior de todos, Renato Portaluppi, viu o jogo das cabines.

A determinação pra gurizada é clara: (tentar) jogar como o profissional. E torço pra que seja esta a filosofia de todas as categorias de base, teoria já manifestada por profissionais do clube em outras oportunidades. E a gurizadinha fez bonito, até parecia o Grêmio! Propondo o jogo e saindo tocando, como já estamos acostumados a ver. Pouco tempo com ela no pé ou de primeira, abrindo pelas alas, girando, os jogadores aproximados, procurando o espaço. Antes dos 5′ o Grêmio aplicava sua fórmula de futebol e já abria o placar.

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O empate do Caxias veio logo, antes dos 8′ Nicolas metia a cabeça na bola após cobrança de falta. A falha de marcação em lance aéreo se repetiria outras vezes mais e determinaria que a vitória e os 3 pontos seriam do Caxias. Semelhante ao que vimos recentemente na Copinha de juniores, falta refinamento defensivo na base.

Mas, falemos do que deu certo. Antes de meia hora de jogo já estava 3×1 para o Grêmio, todos os gols construídos e pensados de pé em pé, com proposta de amplo domínio do meio de campo, o setor talentoso por onde a equipe se destacou e envolveu o Caxias, principalmente no primeiro tempo. Repetindo as premissas da rápida recuperação de bola, com toques conscientes desde o campo de defesa, objetividade e amplitude do time de Renato. Um torcedor mais desatento poderia ter a certeza de que era o conjunto TRIcampeão da América e PENTA da Copa do Brasil que jogava nessa tarde de muito sol em Porto Alegre.

Porém, não era ainda o Grêmio do Geromel e do Kannemann e por isso sofremos três gols de cabeça. Mendonça, que se destacou no primeiro jogo ao lado de Paulo Miranda, não conseguiu se entender com Raul. Ah, e também não era o Grêmio do Grohe guardando a meta e sim do sempre atrasado Grassi.

Félix Zucco/Ag. RBS

Félix Zucco/Ag. RBS

O que era, sem dúvidas, era Campeonato Gaúcho, com as habituais arbitragens pendendo pro interior do estado e permitindo jogos perigosos. Não foram poucos os lances onde os adversários grená entraram sem dó. Cartão? Quase nada. Talvez não houvesse empate aos 23′ do segundo tempo se Nicolas tivesse sido expulso minutos antes, quando levantou o Madson já tendo um cartão amarelo. Talvez, talvez.

Apesar do resultado, mais pontos positivos nessa tarde. Quem viu o jogo sabe. Pra começar, como que para tranquilizar o torcedor, o lado direito do finado Edílson deitou e rolou no primeiro tempo. Pepê é com certeza o substituto primeiro do Ramiro, com mais atributos ofensivos e de apoio que o nosso gigante campeão. Um jogador que a maturidade irá aperfeiçoar, participou dos três gols e é o meu melhor em campo.

Félix Zucco/Ag. RBS

Félix Zucco/Ag. RBS

E a estreia de Madson, jovem lateral que deixou boas impressões, mesmo sem o melhor ritmo: atuou com velocidade, triangulou, fez as vezes de ponteiro entrando na área e mostrou que sabe cruzar. No segundo tempo sentiu o cansaço e apareceu menos pois o time jogou essencialmente pela esquerda.

Como são inevitáveis as comparações, o gurizinho Matheus Henrique vem sendo associado a Arthur. Pequenino, precisa desenvolver fisicamente. Em campo, marcou seu segundo gol em dois jogos, mostrando vantagem sobre o titular no aspecto ofensivo. Protege e gira a bola, tem visão, dá ritmo ao time e chama o foco neste início de temporada ao lado de Jean Pyerre. Este, que fechou 2017 em alta, também deixou seu gol e mostrou novamente qualidade no passe, mas que não pode ser responsável pela armação. Para isso, a camisa 10 tem vestido o Lima, habilidoso e inteligente, de visão, que chama o jogo e sofre muitas faltas. Com a repetição, todos esses jogadores de meio podem integrar o banco de reservas e, porque não, alguns podem em dezembro estar tentando acabar com o planeta mais uma vez.

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Olhos ainda sobre o volante Balbino e o 9 Isaque, que participou da construção de dois gols. Se Renato quisesse, poderia voltar a pensar em jogar sem centroavante e sim com o tal do falso 9… Pra fechar, a estreia de Alisson, que entrou quando o time já perdia o jogo e mostrou vigor na recomposição e muita vontade, apesar de poucos acertos no campo ofensivo de jogo.

Ah, não sou do tipo que gosta de escolher jogadores. Mas Bruno Grassi não dá! Não é pelo último gol, fiasquento. Nem pelo quarto, ridículo. Nem pelos pênaltis que ele nunca cata. Não somente também pelos dois anteriores, atrasados. Também não se trata do jogo anterior, soando repetitiva: atrasado. É pelo o que ele apresentou praticamente desde que chegou, sempre tomando mais de um gol por partida, só conseguindo segurar lançamentos, e olhe lá. Um contra um? Sempre do atacante. Bruno Grassi não dá.

Félix Zucco/Ag. RBS

Félix Zucco/Ag. RBS

 

Foto de capa de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

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