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26.02.2018

Postado por Colaboradoras

Pede pra sair!

Corinthians 2 x 0 Palmeiras – R09 Campeonato Paulista 2018

Em tarde de Rodriguinho, Corinthians vence o Palmeiras e Dudu pede para o time sair de campo.

Alan Morici/Framephoto/Estadão Conteúdo

Alan Morici/Framephoto/Estadão Conteúdo

A fartura de títulos que colecionamos nos últimos anos, infelizmente, criou uma era de torcedores chatos e mal acostumados, que levam consigo características completamente opostas do clube que ao longo da história se mostrou gigante, principalmente nos momentos de dificuldades.

No clássico deste domingo, Carille me apresentou ainda mais motivos para afirmar com convicção de que hoje ele é, sim, o melhor técnico em atividade no Brasil! Em consequência das dificuldades apresentadas pela equipe desde que adotou o 4-1-4-1, Carille, sem reclamar das opções que tem no elenco, tratou de tentar potencializar o que tem de melhor nas mãos e mudou completamente o esquema tático da equipe para esse jogo.

Quando todos pensavam que nosso treinador apostaria no 4-2-3-1 (com Romero à frente), Carille surpreendeu com um 4-2-4, povoou o meio campo com a entrada de mais um volante, reforçou a marcação, apostou na posse de bola e mesmo diante da carência de um centroavante de referência, dominou com propriedade o time da Leila.

Espero que atitudes como essa sejam levadas em consideração por esse grupo de torcedores contemporâneos antes de questionarem a capacidade de nosso treinador nos momentos de queda da equipe, que são inevitáveis, principalmente quando o time está em fase de formação.

O JOGO

Assim como acontece desde 1910, não entramos em campo como donos do favoritismo. O “milionário” adversário, dono de um elenco recheado de estrelas e até então único invicto do Campeonato era o grande favorito para o duelo (assim como era também nos três confrontos que perderam pra gente em 2017).

No 4-2-4, Jadson e Rodriguinho atuaram pelo meio e foram os homens mais avançados, com Clayson e Romero abertos pelas pontas. Com duas linhas de quatro atuando bem próximas, o Corinthians quebrou as linhas de passe do Palmeiras, impedindo que Lucas Lima, por exemplo, tivesse liberdade para criar.

Seria injusto não citar a grande atuação de Maycon, improvisado na lateral esquerda. E quando falamos em lateral, logo associamos àquele cara que corre em velocidade até a linha de fundo e cruza a bola pra grande área. Maycon quebrou esse paradigma no Dérbi deste sábado, quando por diversas vezes, ao invés de seguir essa linha de raciocínio que mais parece um protocolo a ser cumprido, optou em cair para o meio, fazendo com que a equipe ganhasse em superioridade numérica, quebrando as marcações adversárias e tendo mais posse de bola e poder de desarme.

Renê Junior fez seu segundo jogo consecutivo e mais uma vez se mostrou muito eficiente, deu total segurança ao sistema defensivo e ajudou a confundir a marcação palmeirense, que não sabia quem seria o segundo volante a chegar à frente quando, por inúmeras vezes, revezou a posição com Gabriel. Para beirar a perfeição, nosso volante só precisa de um pouco mais de aperfeiçoamento no passe, pois deixou um pouco a desejar nesse quesito.

Há quem diga que o jogo estava equilibrado até o momento da marcação do primeiro pênalti. Discordo! Vi um Corinthians dono do jogo durante os 90 minutos, cedendo raras chances ao adversário. Chances essas, cuja mais clara parou em Cássio, ao ganhar a dividida de bola com Borja, que entrava livre na área para finalizar.

Ganhar um jogo é maravilhoso, vencer um clássico é melhor ainda, mas não podemos e nem devemos analisar o time em cima de resultados pontuais, uma vez que o segredo do nosso sucesso recente reside na constância. Levando isso em consideração, temos todos os motivos para estarmos felizes e para acreditarmos na evolução da equipe comandada por Carille.

Vencemos o clássico com mais posse de bola e incríveis 463 passes corretos de 514 (mais de 90% de aproveitamento). Números estes que me agradam muito, tendo em vista a grande quantidade de passes errados que vínhamos trocando nos últimos jogos. Prova desta evolução foi o golaço de Rodriguinho, marcado aos 39 minutos do primeiro tempo, após nada mais, nada menos, que 28 trocas de passes. Ele girou e, com um drible seco, deixou Borja e Antônio Carlos no chão (que acabaram de passar deslizando aqui na rua de casa).

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Com um golaço e dois pênaltis a seu favor, o Corinthians foi o dono dos principais lances da partida. Pelo lado verde, o destaque foi a reclamação por conta do pênalti devidamente marcado por Raphael Claus, seguido da expulsão do goleiro Jaílson. Pouco demais para um time que pelo terceiro ano consecutivo investiu mais de 100 milhões em um elenco aparentemente promissor, mas que dentro de campo não faz jus a seu investimento e insiste em perder de forma vexatória para o pobre devedor de marmitas.

Felipe Melo, que adora “dar tapa na cara de Uruguaio”, não contente com o chapéu que levou de um turco em 2017, dessa vez voltou pra casa procurando a bola após a caneta que levou de Rodriguinho. Se eu pudesse dar um conselho ao “Pitbull”, seria: da próxima vez, faça como o Dudu, e antes de passar vergonha… PEDE PRA SAIR!

 

Por Tatiane Araújo

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