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22.02.2018

Postado por Raisa Rocha

Já estava com saudades de sofrer, Grêmio!

Grêmio (5)0 x 0 (4) Independiente – Final da Recopa Sul-Americana 2018

Foi um sofrimento que só Marcelo, o Grohe, poderia dar fim na decisão que determinaria o que já sabemos: o Grêmio é o maior time de todo o continente nestes anos. O Rei de Copas do Brasil, a Majestade da América, o dono da porra toda.

AFP

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Em 2016, a Copa do Brasil veio com certa facilidade pelas graças de Renato, Pedro Rocha, Luan, Douglas e Everton (e Grohe deixando a sua marca contra o Atlético-PR, nunca esquecer). Em 2017, tornamos fácil a missão de libertar a América pelo talento de Luan e Arthur, pela nobreza de Geromel e Kanneman, por Grohe mais uma vez, por Edílson, Fernandinho, Barrios e pela mística de Renato. Mas em 2018 não, em 2018 a Recopa foi difícil.

No jogo de ida tivemos mais sorte do que juízo. Time mal escalado, pressão, pancadaria e o sinal de que a coisa seria tensa. E bem, se tem uma coisa que argentinos não praticam há décadas é futebol. Lá se joga outro jogo, de nome catimba, e em Porto Alegre a receita se repetiu. Porém, para corrigir qualquer injustiça os deuses do futebol agiram ante toda e qualquer bruxaria para que a história fosse escrita corretamente.

Arena do Grêmio em festa e o tricolor em cima desde o primeiro tempo e a bola teimando em não entrar. Na segunda etapa jogamos praticamente no campo deles, ao ataque com Geromel, Kannemann e tudo. O goleiro Martín Campaña salvava e nada do placar alterar. Mais 15 minutos pro lado de cá, mais 15 minutos pro lado de lá. Trave. Nada. Zero. Só os pênaltis poderiam decretar.

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Foi sofrido e eu estava morrendo de saudades de sofrer! Minhas companheiras e companheiros de arquibancada discordam. Se o futebol é a metáfora da vida, é de sofrimento que se vive e se tudo vai tão bem, é até de se desconfiar… Mas, esse texto definitivamente não se trata de mim ou do meu fetiche masoquista futebolístico. Se trata de nós, desse momento espetacular que estamos vivendo, desse Grêmio que, como dizem os memes, mesmo em crise consegue levantar mais uma taça!

A Recopa foi o brinde da Libertadores e vencer era uma ordem, tanto para fechar o ciclo quanto para garantir o acerto no planejamento que nos deixa, até o momento, em situação periclitante no Campeonato Gaúcho. É quase óbvio que os titulares não estarão em campo no sábado, contra o Novo Hamburgo, e terça já estreamos na Libertadores (oi, querida!). E aí serão três rodadas definitivas com um clássico pra fechar. Amém.

010 Grêmio - Lucas Uebel GFBPA2

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Começa definitivamente o ano e no caminho alguns problemas mais ou menos graves que Renato precisa ajustar. A saída de Edílson descompensou o sistema defensivo. Geronnemann e Kannemel tem se desdobrado e Cortez anda muito mal das pernas. Léo Moura não tem conseguido aguentar e ontem saiu ainda nos 20′ do primeiro tempo dando lugar a Paulo Miranda, que tem jogado pouco, muito pouco. Ficamos o jogo todo sem contar com um lateral e aguardamos ansiosos pelo retorno de Ramiro para equilibrar o setor.

No meio, ao menos, Maicon vai recuperando seu estilo e confiança, sua presença em campo traz tranquilidade à equipe. Cícero jogando numa linha intermediária entre a volância e o ataque rende muito mais, aparece como surpresa para as conclusões e busca os jogadores de frente com bolas enfiadas. Mas a dupla é pesada e não será a primeira opção.

Ontem tivemos posse de bola com intensidade e pernas nos 120 minutos. Um grande avanço. Faltou maior mobilidade para qualificar esse domínio estatístico, coisa que depende exclusivamente de companhia para Luan na função de amaciar e pensar o jogo. Estes caras são Ramiro e Arthur e, até o momento, não temos no elenco substitutos na mesma excelência. A venda para o Barcelona é dada como certa, assim como sua permanência nesta temporada, período para Renato ou encontrar um novo Arthur para andar o jogo ou um novo estilo para o time.

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Entretanto, é no fazer o gol que está a dor de cabeça. Nas duas partidas jogamos desde o primeiro tempo com um a mais em campo e isso não foi o suficiente para converter em gols. Se nos falta no meio alguém para achar o melhor passe, nos falta na frente alguém pra receber essa bola e jogar pras redes. Até ontem eu tinha paciência e esperanças em Jael, o centroavante que tem mais taças do que gols, como também como dizem os memes. Acabou. Jael não dá pra ser o camisa 9 de um time qualificado como é este Grêmio e que disputa os campeonatos que este Grêmio vem disputando.

Pelos lados de campo, aparentemente, as coisas irão se ajustar. Everton dá sinais de que pode ser jogador pra começar a partida e ontem eu poderia jurar que seria dele a noite. O Cebolinha tem boa finalização e geralmente não precisa de tantas tentativas para balançar as redes, mas em ao menos dois momentos cruciais parou no goleiro Campanã, que também teve seus milagres.

Tem ainda o Alisson, que ontem começou a partida, não se prendeu aos lados e teve momentos interessantes aparecendo pelo meio, como já fizera no Gauchão, contra o Brasil. O jogador vem me iludindo. Pelo o que diz a mana cruzeirense Ana Clara ele é “só correria e frustração” e logo menos iremos relativizar o rapaz mais e mais. Eu prefiro a opinião do outro lado da moeda, da Letícia, que sente saudades do menino Alisshow… Sobre Maicosuel, ainda nada a declarar, deixo somente a opinião da mana atleticana Marina, que diz que “é o tipo de cara que no ataque fecha os olhos e vai, deu um caldinho no Galo, mas é isso, super limitado”. Nas bruxarias de Romildo e de Renato we trust, veremos…

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Precisamos de um 9, de Ramiro, de Arthur e de recuperar a força da bola parada sem Edílson. O condicionamento físico já superou o mínimo aceitável e, agora sim, é hora de buscar os ajustes táticos. Nada impossível, pelo contrário, tenho convicção de que voltaremos a ter um Grêmio voando em pouco tempo e que meus dias de regozijo em sofrimento têm data breve para acabar. Este ano promete e ninguém aqui vai cair no Gauchão, ponto final.

Parabéns, Rainhas e Reis de Copas. Como é bom ser do Grêmio!

 

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