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28.02.2018

Postado por Roberta Pereira da Silva

Um jogo, algumas histórias

Santos 2 x o Santo André – R09 Campeonato Paulista 2018

Domingo, 25/02/2018, a equipe do Santos enfrentou o Santo André pelo Paulistinha 2018. A primeira história que lhes apresento é sobre uma galera do município de São Paulo que não abre mão de ver seu time jogar na Vila Mais Famosa do Mundo. Quem não é de São Paulo não imagina os entraves para ir ao jogo na Cidade de Santos.

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Primeiro passo, verificar no GPS qual caminho mais livre: Rodovia Imigrantes ou Rodovia Anchieta; segundo passo, temperatura, quanto mais frio, maior possibilidade de neblina, ou seja, temos que sair horas e horas antes pois possivelmente teremos que descer a serra de comboio. Neste domingo fomos brindados (as) com um sol maravilhoso, gastamos 1 hora e 15 minutos, pois não tinha neblina e não haviam acidentes. Contudo, não podíamos correr o risco de chegarmos atrasados (as), então saímos as 16h30.

Os custos com pedágio são absurdos, além da gasolina e alimentação. Obviamente, degustamos o delicioso lanche de pernil e/ou calabresa e um suco geladinho de abacaxi vendido por moradores locais em carrinhos quase que vintage. É uma delícia sentir a brisa do mar, estar no litoral para ver o time jogar. O relato é apenas uma problematização das dificuldades dos (as) santistas para acompanhar seu time do coração. Fatores esquecidos pelos espertos do jornalismo esportivo quando questionam a média de público santista.

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Pela primeira vez fiquei no setor destinado aos sócios (as) torcedores (as). Meu lugar preferido é a arquibancada, mas resolvi experimentar as “regalias” oferecidas a (os) sócias (os) e no final das contas, o que vale mesmo é o conforto de poder assistir o jogo sentada. Parênteses (tu não te tornas menos torcedora pela forma pela qual assiste ao jogo). A torcida é tão fanática quanto a torcida da arquibancada, mas seu grito fica guardado para a hora do gol, a fúria é contida e por raras vezes os corpos estáticos são arrebatados pela catarse da Torcida Organizada entoando um “Vamos ganhar Santosssss”. Não sei e nem quero problematizar os motivos deste comportamento. Eu, como não sou obrigada, cantei muito e xinguei mais.

Mas a segunda história não se trata do meu privilégio de sócia e sim das mulheres que conheci, sentadas ao meu lado: quatro jovens, assim como eu, ocupavam suas cadeiras numeradas. No intervalo, puxei conversa com duas delas, moradoras da Cidade de Santos que acompanham fielmente o Leão do Mar aonde e como ele estiver e que não estavam acompanhadas por homens. Parênteses 2 (você não se torna menos torcedora se for acompanhada de seu pai, irmão, tio, namorado, avô). Aliás, é comum que os homens relatem que sua paixão pelo futebol foi incentivada pela figura paterna e/ou masculina. O que é necessário combater são os discursos de que as mulheres só vão ao estádio para acompanhar seus parceiros. Uma delas, inclusive, relatou que sua mãe também estava presente, só não sabia onde estava, pois iria à Vila após o trabalho.

As duas ilustres torcedoras já têm seus ingressos comprados para o clássico de domingo contra o time de Itaquera. Como as quatro, milhares de mulheres acompanham seu time, torcem, vibram e merecem todo o respeito.

A terceira história é quase um Haikai. Neneco, goleiro do Santo André, operou defesas incríveis, goleiro veterano e negro. Realizou uma partida espetacular e aviso ao Edílson: ele é Negro e é um ótimo goleiro e não precisará provar para ninguém seu potencial.

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Por fim, a última história refere-se a “adultescência” do nosso melhor jogador. Sim, estou falando de Gabigol. Ele simplesmente sobra em campo, joga com uma facilidade incrível, mas teima em não amadurecer. Será que a nomenclatura “menino da vila” está confundindo suas referências? Nos primeiros minutos de jogo houve uma discussão com o jogador adversário, o árbitro apenas advertiu. Já durante a partida, caiu sem necessidade, reclamou horrores, cavou dois pênaltis, ou seja, parecia estar pedindo um amarelo.

Último parênteses (Gabigol havia levado dois amarelos e estava pendurado). Em um lance onde os jogadores já estavam parados, ou seja, todos já haviam entendido que era impedimento, o “menino” dá um chapéu no goleiro e toma o terceiro amarelo: como consequência está fora do clássico de domingo. Será este comportamento o que dificultou sua estadia na Europa?

É mister para um jogador de futebol pensar coletivamente, no time e na torcida. Louros individuais só contribuem para o fortalecimento do futebol moderno. Ídolos da massa pensam na massa e seus louros são coletivos. Não há o que se questionar quanto ao seu aproveitamento em campo: em todas as partidas ele marcou. Contudo, o time é nosso, querido Gabigol, e ser homem no sentido genérico, humano, diz respeito a compreender que suas vitórias virão com o amadurecimento e que se o time ganha você cresce, se só você ganha, nada ou muito pouco acontece.

Ah, o Santos venceu de 2×0 e, sábado, às 16h, teremos treino aberto aos (as) torcedores (as) no Pacaembu, #borapropaca?

Fotos de Ivan Storti/Santos FC

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