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19.03.2018

Postado por Colaboradoras

A anatomia de uma derrota

Grêmio 3 x 0 Internacional – Quartas-de-final Campeonato Gaúcho 2018

Nos últimos anos sinto que peguei aquele carro do Dr. Emmet Brown do De Volta Para o Futuro e viajei para um passado não muito distante. O retrocesso vivido na política e na economia me fazem crer que estamos vivendo em 1965, porém, o retrocesso que o Inter apresenta em campo, me faz acreditar que embarquei para 1995 ou 1910, quando o Inter não conseguia ganhar um mísero derby.

Assisti com afinco ao gre-nal de ontem, domingo 18, e são incontáveis os erros e os motivos para que parecesse estar assistindo a um jogo de um time só, nesse caso o Grêmio. Foram mais de 90 minutos de falta de noção absoluta e abismo tático. Por isso, tento aqui, destrinchar o óbvio ululante da anatomia dessa derrota.

Para o Grenal 414, o homem do inferno Odair Hellmann veio com um 4-1-4-1. Já o galã de rodoviária – vulgo Renato Portaluppi – escalou o 4-2-3-1. O primeiro tempo até que mostrou um pouco de equilibro, o Inter tentava um certo entrosamento para chegar a área do Grêmio e criou algumas chances, como a cabeçada de Rodrigo Dourado após a cobrança de falta de D’Alessandro. Porém, estava claro que havia somente uma estratégia para o Inter: um jogo pelas laterais e jogada área tentando abrir algum espaço no organizado time do Grêmio, o que até então não dava para saber se era tática ou total falta de opção de um meio de campo minimante entrosado e eficiente, ou apenas possuir um meio de campo mesmo… O gol do Grêmio veio com uma troca de passes (troca de passes, sabe? Uma sequência de passes certos) já nos acréscimos. E assim os mandantes abriram o placar na Arena.

Isadora Neumann/Ag. RBS

Isadora Neumann/Ag. RBS

Mas nem o mais pessimista dos colorados podia imaginar que o time não voltaria para o segundo tempo. Nove minutos de jogo e a equipe colorada já demostrava cansaço, tudo bem, estava muito quente em Forno Alegre, mas o mesmo sol que batia para um lado, batia para o outro também. Isso aponta mais uma crise colorada, estamos com sérios problemas de preparação física e, como tudo visto até aqui, não é de hoje.

O Grêmio, seguia seu roteiro pré-estabelecido de tocar a bola e sufocar o Inter, pois em 45 minutos de primeiro tempo Renato já sabia que não tínhamos outra jogada a não ser correr pelas laterais, então um grande corredor se abriu no meio de campo que apontava para a pequena área do Inter e assim, facilmente o Grêmio abriu um placar de 3 X 0, um dos gols com uma falta cobrada com maestria por Jael. O jogo terminou com – mais uma – troca de passes do Grêmio, levando os mais de 40 mil torcedores tricolores ao delírio gritando olé.

Um clássico não resolve nada, nem faz ninguém ganhar campeonato ou sair da crise. Além do deleite dos torcedores, serve apenas para dar um choque de gestão e nos caminhos que cada clube e sua diretoria traçam para aquela temporada, e a eterna gangorra do gre-nal faz com que esse choque seja sempre evidente. Expondo-se ao co-irmão, Colorados e Gremistas conseguem ver com detalhes o atual cenário de seu time, foi assim nos primeiros grenais, foi assim com o Rolo Compressor, com a era Falcão, com a Era Portaluppi, na primeira Era Rebaixamento de 91, com a Era Felipão, com o Bi-Rebaixamento de 2003, com a Era Fernandão e agora não é diferente com a Era Luan e nosso primeiro rebaixamento.

Mas cabe ao Inter saber que esse clássico é sobre nós e como seguiremos firmes. A atual gestão sofre para equilibrar cofres de uma era nababesca e imprudente. O time precisa se reestruturar e ganhar credibilidade novamente. Talvez seja a hora de abandonarmos velhos ídolos e seguir para uma nova fase.

Anderson Fetter/Ag. RBS

Anderson Fetter/Ag. RBS

Quanto às quartas-de-finais do gauchão, acho bem difícil conseguir organizar tantas falhas em três dias e fazer uma apresentação menos desastrosa. Mas se eu pudesse dar um conselho quanto a treino e esquema tático ao Odair Hellmann, eu citaria um comentário que o Dr. Sócrates fez certa vez sobre time que não consegue ter domínio de jogo: – o treinador deveria fazer um treino fechado e deixar aquelas caras só trocando passes, exaustivamente trocando passes, até que eles lembrassem como é possível tocar a bola, até que dessem uma sequência de passes certos.

 

Por Josie Rodrigues

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