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23.04.2018

Postado por Ana Clara Costa Amaral

Sem solução mágica

Fluminense 1 x 0 Cruzeiro – R02 Campeonato Brasileiro 2018

Em um treino de luxo para a partida mais importante do ano, na quinta-feira, quando recebe La U no Mineirão, a Raposa ainda não estreou no Brasileirão. Com um jogador a mais desde os 14 minutos do primeiro tempo, quando Gilberto deu uma voadora na cabeça de Sassá, o Cruzeiro pecou na criação mais uma vez.

A frustração de ver um meio de campo qualificado e ao mesmo tempo incapaz de produzir jogadas trabalhadas que ofereçam perigo ao adversário é real e oficial, mas algumas coisas mudaram desde o jogo contra o Grêmio. A ilusão de uma solução fácil e de que nossas dificuldades se deviam a um grande adversário puxam a fila. Que marketing da zuera, terceirização da base e outras bizarrices do futebol moderno não garantem títulos, e muito, muito menos, times memoráveis.

marcelo hermes

Mano acertou em poupar Edilson, Egídio e Arrascaeta do jogo no Maracanã. A torcida pôde observar Marcelo Hermes, que para muitos merecia uma chance na vaga de Egideus perninhas nervosas mas não acertou uma. Lucas Silva fez por merecer mais uma chance ao lado de Henrique, após a partidaça que fez no Chile. Foi o melhor celeste em campo naquela partida contra La U. Com Sassá titular pela primeira vez, veio a tão sonhada escalação de um atacante de ofício, que nunca foi pedir demais.

Do povoado meio-campo do 4-5-1 inicial, com Lucas Silva, Henrique, Mancuello, Robinho e Thiago Neves, apenas Robinho talvez não mereça a titularidade agora. Mas o fato é que mesmo tendo a posse da bola, e tendo evoluído um pouco a intensidade da marcação, ofensivamente o time sofre. Mesmo com Mancuello e TN30 tentando revezar pelas beiradas, não tivemos um passe incisivo para Sassá, ou alguém que chegasse por trás.

tn30

Como o Fluminense não oferecia risco, no segundo tempo veio a tão aguardada estreia de David, o substituto de Alisson no elenco, no lugar de Lucas Silva. O Cruzeiro jogava com dois atacantes e nenhum deles era o Rafael Marques! Entraram ainda Rafinha e Arrascaeta, quando o Flu já havia achado um gol de bola parada e sorte.

O segundo tempo inteiro jogamos em uma formação ofensiva, com as peças mais velozes do nosso elenco, e não foi o suficiente para furar o bloqueio imposto. Tivemos dois lances muito perigosos na base do abafa e foi só. De impressionantes 50 cruzamentos, apenas 9 certos. Não faltou vontade, luta até o fim e pouco ou nada se pode dizer das escolhas de Mano.

sassá

Se o jogo serviu para alguma coisa, foi para deixar claro que a solução não virá a curto prazo e, ao menos, começamos a vislumbrar uma nova formação na qual o time ainda pode evoluir e aprimorar o entrosamento. Uma formação que Mano não teve a chance ainda de trabalhar devido a tantas lesões dos nossos atacantes. Nada disso apaga a constatação da total falta de soluções apresentada pelo meio campo, mas há esperança e ela não atende por Dorival Júnior.

Por fim, se sou obrigada a superar a partida de Ábila Wanchope, acredito que está mais do que na hora da torcida superar Adilson Batista e outros delírios. É com isso aí mesmo até o fim do ano, hora de readequar as expectativas e carregar o time no braço. Se ainda não se convenceu, pense na multa rescisória e na demagogia da nossa diretoria. Tem doido pra tudo. O lance é torcer pelo reencontro de um Manoball efetivo que alcance pelo menos algumas poucas vezes os atacantes à disposição e em boas condições. Com sorte, a tempo de salvar nossa fase de grupos. Aí, depois da Copa do Mundo e tudo o que mudará com ela, entre transferências e tempo para treinar, veremos com o que podemos sonhar.

Para quinta-feira agora, será na base da garganta e da mística copeira, na sem vergonhice da torcida mesmo, já avisávamos que esse ano a gente não morria mais. Avante, terrível besta meneziana!

 

Fotos de Vinnicius Silva/Cruzeiro

Colaboração Coletivo Maria Tostão

 

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