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31.05.2018

Postado por Mariana Moretti

9 goleiros inesquecíveis dos Mundiais

Carrega nas costas o número um. Primeiro a receber, primeiro a pagar. O goleiro sempre tem culpa. E, se não tem, paga do mesmo jeito.

Eduardo Galeano

Entre os estigmas de heróis e vilões, os goleiros percorrem esse caminho, solitários. Chamados popularmente de arqueiros, os camisas 1 tem uma missão ingrata: ou colher os louros da vitória ou serem relembrados por erros que não se apagam com o tempo. Justamente por esse motivo, por carregarem a “cruz” futebolística nas luvas, que vamos prestar uma singela homenagem aos mais emblemáticos goleiros das Copas do Mundo.

Sepp Maier (Alemanha)

Ernst Baumann

Ernst Baumann

Campeão do mundo em 1974, Josef Dieter Maier foi o principal responsável pelo título da Alemanha, segundo ninguém menos que Franz Beckenbauer, seu amigo de infância com o qual costumava jogar tênis. Anos depois, trocou o tênis pelo futebol para entrar na história como um dos melhores goleiros do mundo, feito que seria repetido posteriormente por Oliver Kahn.

Eu não ia dormir abraçado a um ursinho de pelúcia, eu dormia com a bola. Que relacionamento nós tínhamos – eu amava aquela bola!

Ao longo de sua carreira, o “Anjo Irônico” foi premiado três anos como melhor jogador de seu país, além de ter sido escolhido como o melhor goleiro do século pelo povo alemão. Representou seu país 95 vezes e foi advertido apenas uma vez com cartão amarelo. Sepp Maier foi reserva na Copa do Mundo de 1966, e titular nos Mundiais seguintes, em 1970 e em 1974, sendo o melhor goleiro do torneio. Além disso, atingiu a incrível marca de 475 minutos sem levar gols em Mundiais, desde a final de 1974 até o jogo contra a Holanda em 1978.

José Luis Chilavert (Paraguai)

Getty Images

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“Bulldog” da seleção paraguaia, símbolo da geração de arqueiros dos anos 90 e um dos melhores de sua época, Chilavert era também o goleador de sua seleção: fez 62 gols ao longo de sua carreira e é o segundo maior goleiro artilheiro do mundo, ficando atrás apenas de Rogério Ceni, com 132 gols.

Apesar de ser hábil cobrador de pênaltis e bolas paradas, acabou não atendendo às expectativas de anotar um gol em Mundiais, como teve oportunidade de fazer em 1998, em uma falta contra a Bulgária, ou de converter contra a Espanha, em 2002 (foto acima). Ainda assim, Chilavert foi selecionado como goleiro da Copa de 1998 por sua brilhante atuação.

Hugo Gatti (Argentina)

Reprodução

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Dono de um estilo único, irreverente e provocador, “El Loco” Gatti não recebeu o apelido por acaso. Um dos ídolos máximos do Boca Juniors, Gatti defendeu a Argentina na Copa do Mundo de 1966 na Inglaterra, e ficou famoso pelas defesas ousadas e as saídas da área com a bola nos pés. Uma dessas emblemáticas defesas, apelidada de “Deus”, desconcertava os atacantes, fazendo-os sucumbir diante de sua figura, agachada com os braços extendidos à espera do bote.

Reprodução

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O goleiro deve ser um jogador dentro da equipe, com a única diferença de que na grande área você pode usar suas mãos.

Atuou em 765 jogos, um recorde para um jogador argentino, durante 26 anos (de 1962 a 1988). Em 1982, foi eleito o jogador argentino do ano. Gatti se aposentou com 44 anos, influenciando uma geração de arqueiros não apenas por sua habilidade no gol e ousadia, mas também por sua coragem dentro e fora de campo. Dono de declarações polêmicas, como as afirmações que “de outro planeta foi Pelé, não Maradona”, ou que Leonel Messi seria reserva na época de Cruyff, Pelé e companhia, foram apenas a constatação de que ele é, sem dúvida, um personagem singular na história do futebol argentino.

Dino Zoff (Itália)

AFP PHOTO/DPA

AFP PHOTO/DPA

O goleiro italiano atuou brilhantemente na Copa de 1982 contando com 40 anos de idade. Símbolo dos melhores arqueiros de sua geração, Dino Zoff era caracterizado por sua frieza no gol, motivo pelo qual realizava defesas seguras e decisivas.

Quem nunca viveu um sucesso esportivo dificilmente pode entender o que se sente em certos momentos. Só o esporte pode te dar sensações tão fortes. Nenhuma outra vitória se compara com o Mundial, porque aconteceu em tantas condições particulares: eu tinha uma idade avançada, portava a braçadeira, estava em um time que cresceu de maneira entusiasmante. Para mim, foi verdadeiramente a consagração de toda uma carreira.

Crucial na Copa de 1982, que barrou a seleção canarinha de avançar na competição, Dino é considerado o maior goleiro da seleção italiana, ao lado de Buffon, que seguira seus passos.

René Higuita (Colômbia)

dailymail.co.uk

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Poucos são os adjetivos capazes de descrever René Higuita. Originalidade é, talvez, a palavra que melhor define o que ele representou para toda uma geração de goleiros. Gostava de inovar em suas defesas, como o famoso “Escorpião”, consagrado durante um amistoso em Wembley, e também de sair jogando com a bola nos pés – além de ter feito 44 gols durante sua carreira.

Principal responsável pela classificação da seleção colombiana para disputar a Copa de 1990, 28 anos depois da última participação, a ousadia de Higuita era indiscutível, e, ou funcionava muito bem, ou muito mal para a equipe. Naquele Mundial, Higuita saiu do gol para driblar o adversário, o qual roubou a bola de seus pés e fez o gol que tirou a seleção da Colômbia da Copa. Apesar de eventualmente pagar o preço de sua irreverência, Higuita é um dos personagens inesquecíveis da história do futebol, uma vez que conquistou uma legião de fãs em todo o mundo.

Gordon Banks (Inglaterra)

Divulgação/FIFA

Divulgação/FIFA

Campeão do mundo em 1966, em que sofreu apenas 3 gols durante todo o torneio, o arqueiro viajou com sua seleção ao México, para disputar a Copa seguinte, como favoritos ao título. Conhecido pela emblemática defesa na Copa de 1970, contra o Brasil, Banks é eventualmente chamado de “o homem que parou Pelé”, apesar do triunfo brasileiro naquele Mundial.

Protagonista de uma das defesas mais bonitas (e improváveis) da história do futebol, o goleiro inglês é considerado um dos melhores futebolistas do século XX. Banks disputou 73 partidas pela seleção da Inglaterra, entre 1963 e 1972.

Oriundo de família humilde, deixou a escola cedo e trabalhou na limpeza de carvão em sua cidade para auxiliar no orçamento doméstico, antes de se tornar jogador. Como legado de sua trajetória brilhante, Banks entrou para a história como um dos melhores de sua posição.

Petr Cech (República Tcheca)

Getty Images

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Goleiro titular da República Tcheca por 14 anos, Petr Cech foi considerado nove vezes o melhor jogador de seu país e, obviamente, lembrado por seu inseparável capacete. O uso desse equipamento é mais que uma marca registrada do goleiro, mas uma proteção indispensável ao jogador. Em 2006, sofreu uma séria lesão no crânio enquanto atuava pelo Campeonato Inglês, devido a um impacto do joelho do adversário em sua cabeça. Após o acidente, Cech não abriu mão do uso do capacete durante os jogos para protegê-lo de eventuais traumas na mesma região.

Defendeu seu país na Copa do Mundo de 2006, em uma eliminação precoce na fase de grupos, vencendo a seleção dos Estados Unidos e perdendo para Itália e Gana, apesar de grande atuação de Cech nas partidas. Foi eleito, em 2005, o melhor goleiro pela FIFA.

Taffarel (Brasil)

AFP

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Talvez nenhum goleiro seja tão lembrado pela habilidade de defender pênaltis como Cláudio Taffarel. Foi titular em três Mundiais (1990, 1994, 1998) e herói máximo do tetra campeonato brasileiro, nos EUA em 1994. Roberto Baggio até hoje deve tremular ao ouvir o nome do arqueiro brasileiro.

Taffarel atuou de 1988 a 1998 na seleção, em que sofreu 72 gols em 108 jogos. E quem não se lembra do “Vai que é sua Taffarel!”

Lev Yashin (Rússia)

Getty Images

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Que tipo de goleiro é aquele que não é atormentado pelo gol que ele permitiu? Ele deve ser atormentado! E se ele está calmo, isso significa o fim.

De vestes negras da cabeça aos pés, o “Aranha Negra” intimidava seus adversários, sendo famoso por destruir as esperanças dos rivais agarrando pênaltis e protagonizando defesas icônicas. Dono de inquestionável liderança ao organizar a linha defensiva, Lev Yashin foi um dos maiores jogadores russos de todos os tempos.

Yashin atuou nas Copas de 1958 (primeira a ser exibida internacionalmente pelo Sputnik II, satélite da União Soviética), 1962, 1966 e 1970. Foi vencedor da Bola de Ouro em 1963 e, em 1968, recebeu a Ordem de Lenin, a mais alta distinção concedida pela ex-URSS. Tanto é importante seu legado que o prêmio de melhor goleiro das Copas do Mundo, ou “Luva de Ouro”, leva seu nome desde 1994.

Em tempos de alto rendimento esportivo, o recado de Yashin só poderia fazer sentido em uma longínqua época do futebol, em que o segredo era simples: O truque é fumar um cigarro para acalmar seus nervos e tomar um grande gole de licor para tonificar os músculos.

A poucos dias do Mundial na Rússia, nada mais justo que finalizar com a afirmação do escritor Vladimir Nabokov, que bem define a figura do arqueiro: É a águia solitária, o homem misterioso, o último defensor. Os fotógrafos se ajoelham com reverência para imortalizá-lo em pleno salto espetacular.

 

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Referências

https://www.otempo.com.br/superfc/copa-2018/faltam-27-dias-para-a-copa-sepp-maier-o-anjo-ir%C3%B4nico-1.1612092

http://www.fifa.com/fifa-tournaments/players-coaches/people=37989/profile.html

http://www.fifa.com/fifa-tournaments/players-coaches/people=174638/profile.html

http://www.pasionfulbo.net/perfiles-hugo-gatti/#prettyPhoto

http://www.espn.com.br/noticia/611967_apos-14-anos-petr-cech-anuncia-aposentadoria-da-selecao-tcheca

http://www.lance.com.br/copa-do-mundo/caras-das-copas-taffarel-mito-tetra-gigante-nos-penaltis.html

http://terceirotempo.bol.uol.com.br/que-fim-levou/chilavert-4236

https://www.bbc.com/sport/football/42268937

http://terceirotempo.bol.uol.com.br/que-fim-levou/gordon-banks-5956

https://efemeridesdoefemello.com/2016/08/27/rene-higuita-50-anos/

http://trivela.uol.com.br/dino-zoff-75-anos-do-silencio-o-goleiro-ultrapassado-se-eternizou-como-lenda/

A Bola que Pariu