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07.05.2018

Postado por Roberta Pereira da Silva

Crônica de uma derrota anunciada

Grêmio 5 x 1 Santos – R04 Campeonato Brasileiro 2018

Uma das melhores lembranças que tenho da infância são as confortantes conversas com as pretas velhas, responsáveis por benzer as crianças do bairro. Um copo com água fresquinha e um ramo de arruda compunham o ritual. Essas fortes mulheres davam impressão de tudo saber. Tenho certeza que realmente sabiam, assim como todas (os) torcedoras (es) já sabiam que a derrota viria.

Foto:  Jonathan Lins/G1

Foto: Jonathan Lins/G1

E não é pelo fato das duas derrotas seguidas (contra o Bahia pelo Campeonato Brasileiro e contra o Nacional pela Libertadores) na verdade é sim, é também. O Campeonato Paulista deu-nos várias pistas do que faltava no time, do que deveria ser alterado e o que o Jair poderia fazer enquanto professor. No meu aniversário, estava eu em noite chuvosa na Vila Belmiro sofrendo com um time que não conseguiu fazer sequer um gol contra o Botafogo em 180 minutos e classificou-se apenas nos pênaltis para a semifinal do paulisteco. O Santos não tem conseguido bons resultados fora e, segundo as estatísticas, aos 34 minutos do segundo tempo o jogo já estava 5×1 para o time sulista.

O primeiro tempo virou com o placar de 2×1. Tentar o empate e segurar o placar seria o ideal. Mas infelizmente já imaginávamos que tomaríamos mais gols. A zaga vinha mostrando-se segura e Vanderlei é nosso Deus, mas tais vantagens não seriam suficientes na partida de hoje.

Foto: Dudu Contursi/Raw Image

Foto: Dudu Contursi/Raw Image

As jogadas, quando saíam eram dos pés dos laterais e se estes não estão bem, não tem jogo. Haja vista a partida contra o Nacional, no Uruguai, quando Daniel e Dodô estavam péssimos. A diretoria não foi capaz de contratar um meio de campo e o Jair insiste em Jean Mota. Vitor Bueno não pode entrar no primeiro tempo? Donde estás Calabrez? Um time do tamanho e rendimentos do Santos não pode depender de milagres individuais, como nos alertou Caio Nascimento em seu último artigo.

O time do Grêmio pintou e bordou, como diriam as pretas, e torcer para o jogo acabar aos trinta minutos é muita humilhação para uma torcedora. Nada, absolutamente nada funcionou, o time estava entregue, não conseguiu uma sequência de três toques, como analisavam os espertos da TV.

No primeiro gol os “caras” deram espaço e os gremistas deram um belo chute, no segundo a zaga nem dominou e nem chutou a bola, o terceiro tento foi de uma categoria incrível. No quarto gol o jogador que tocou para o André estava sozinho e no humilhante quinto gol ninguém chegou.

Foto: Lucas Uebel/GFBPA

Foto: Lucas Uebel/GFBPA

Ainda nesta semana fomos surpreendidas (os) com a notícia do doping por cocaína do jogador Diogo Vitor. O Santos se posicionou a favor do atleta e se comprometeu a prestar toda a assistência necessária. Só para situar, o meia-atacante está no Santos desde os 12 anos, sua mãe é falecida. Não sei mais detalhes de sua história no Santos, mas o brilhante jornalista Breiler Pires vem publicando várias matérias sobre a situação da base no Brasil, as diversas violações de direitos humanos que ocorrem, desde a ausência da família, falta de alimentação e locais adequados de moradia, a abusos sexuais. Não estou afirmando que tais violações tenham ocorrido com o Diogo, contudo é sim responsabilidade do clube oferecer todo o apoio (multiprofissional) ao jogador.

Sem contar que o uso abusivo de substâncias psicoativas deve sempre ser entendido como uma ausência de controle do indivíduo em relação ao uso, necessitando neste momento de acompanhamento e apoio.

Voltando à tragédia de hoje, perder fora até vai; perder de 2×1 seria um tanto razoável; mas perder de 5 com gol de ex é inaceitável. Previsível, mas inaceitável. Celular desligado, chegar de cabeça baixa no trabalho, desconectar nas redes sociais, estas serão as medidas a serem tomadas para sobreviver a segunda-feira amarga.

Em tempo, houve uma discussão entre Alison e Vanderlei nos últimos minutos do jogo, totalmente normal, não vamos fazer polêmica onde não tem. Concordo muito com as palavras de David Braz, na entrevista ao final da partida, “isso mostra que não estamos satisfeitos com a derrota e como o time vem jogando”.

 

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