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24.08.2017

Postado por Ana Clara Costa Amaral

Clientes saem, torcedoras e torcedores entram!

Cruzeiro 1 (3) x (2) 0 Grêmio – Semifinal da Copa do Brasil 2017

Quarta-feira cinzenta em Belo Horizonte, o dia que estava jurado pra cardíaco. A insônia já consumia a torcedora e o torcedor há dias, diante do dilema que é ser apaixonada por esse clube e esse time que não é maravilhoso, mas veste uma camisa estrelada que nunca nos permite deixar de sonhar.

Contra o mesmo Grêmio que nos eliminou no ano passado, a vantagem deles novamente, a mesma e aparentemente eterna desconfiança sobre Mano Menezes… visto de fora, talvez a comparação fosse inevitável.

Mas o filme que passava na cabeça cruzeirense não era o de 2016. Era uma tensão com um quê de otimismo inexplicável, um certo prazer em não ser cotado como favorito, junto e misturado com o mistério que circundava nossa escalação, a estreia do bandeirão monumental da Máfia Azul e a expectativa de recorde de público. No nosso caminho, apenas os gigantes dignos dos grandes clássicos.

bandeirao

Para completar, o time ainda me entra de uniforme branco, apesar do mando de campo.

Não, este sofrimento não tinha a cara de 2016, entramos no túnel do tempo e desde segunda-feira em Minas é 1996. Torcedor não é cliente e independente do resultado final, jogando com a raça que jogou, o time sairia aplaudido. E a gente sabia que jogaria com raça. Sabíamos e quase queríamos esta angústia. E seríamos vencedores.

Sem um atacante de referência, o Cruzeiro foi sem medo para o jogo, com Élber e Alisson pelas pontas e TN30 centralizado. Hudson no lugar de Lucas Silva, ao lado do guerreiro Henrique, era garantia de um meio de campo pegador e de toques curtos. E, claro, alguns muitos centímetros a mais nas disputas das bolas aéreas.

Mal começou o jogo e Fábio já salvava o que seria a melhor chance do Grêmio na partida, em chute à queima roupa de Barrios.

Aos poucos o time encaixava mais os passes e na base do abafa tentava se impor, mas o tricolor gaúcho também marcava bem e as jogadas não saiam com naturalidade. Tivemos uma ótima chance com Alisson, que subiu sozinho para cabecear nas mãos de Marcelo Grohe, e ainda uma falta bem batida por TN30. À parte de alguns chutes à longa distância e sem perigo, no primeiro tempo foi só.

thiago neves

Foi no vestiário que começou a se desenhar a vitória. O Cruzeiro voltou para o segundo tempo mordendo ainda mais e com a estrela do menino Raniel no lugar de Élber, um monstro nas disputas de bola e para o qual não existia bola perdida. Robinho e Thiago Neves se esforçavam, mas não conseguiam entrar na mesma rotação do restante do time, o gol tinha que espelhar o clima do jogo e redimir os desacreditados. Confesso que achava que seria pelos pés do menino. Mas foi na cabeçada de Hudson, refugo do São Paulo, substituto do madrileño Lucas Silva.

hudson gol

O 1 a 0 levava a disputa aos pênaltis, mas o Cruzeiro não estava contente. Com todo o destaque às atuações de Murilo e Raniel, e ao incansável Alisson, o time amassou o Grêmio. Assustados, os antes organizados gaúchos passaram a errar passes, sentiram o peso do Mineirão com mais de 55.000 torcedores e passaram a achar a derrota um bom negócio, botando a maca pra trabalhar muito mais cedo do que de costume.

Grohe depois demonstrou o porquê de tamanha confiança nos penais, mas o Cruzeiro fez o que o Grêmio abdicou de fazer na Arena e se lançou ao ataque, buscando resolver no tempo regulamentar.

Raniel quase guardou de voleio quando o Cruzeiro ainda guardava sua maior cartada para os 30’ de jogo. Arrascaeta entrou no lugar de Alisson e logo mostrou a que veio, fazendo um escarcéu pelo lado direito da defesa gremista. A esta altura, já era ataque contra defesa e ainda deu tempo de tirar Hudson para a entrada de Sóbis. Mano apostava tudo no campo, mas também se armava para os pênaltis com essa mudança.

O time terminou por cima, merecia a classificação de forma direta pela postura surpreendentemente ofensiva mesmo após o gol e pela raça em 90 minutos. Até o pênalti perdido por Murilo era digno de aplausos, assumindo a responsa enquanto Leo, Henrique, Diogo Barbosa e Arrascaeta torciam. Duas vezes tivemos a chance de assumir a frente, mas os times se revezavam entre travessão e Grohe.

fabio gracias dios

Em uma dessas raras vezes em que o futebol faz as pazes com a justiça, dizem que Fábio encarnou o espírito de Dida e resolveu ser decisivo na última batida, fazendo jus à sua carreira no clube e à partida que o time fez. TN30 selou a passagem batendo com estilo.

Uma classificação histórica sem gosto de revanche, o negócio era nós por nós e a alegria de fazer parte de mais uma dentre tantas noites memoráveis que esse manto proporciona. Que grande sorte ser cruzeirense, que sorte grande ter o Mineirão por casa e a Pampulha por quintal, venha o que vier. Todo ódio ao futebol moderno e viva as noites – e semanas – como essa!

Leleleleleleleôôô… Cruzeiro eu sou.

jogadores comemoram c tn30

Fotos de Washington Alves/Cruzeiro/Lightpress

Texto com a colaboração do Coletivo RAP Feminista

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